Meu mês!
O que eu nasci, o que eu comemoro mais um ano de vida, o que eu comemoro minha deliciosa maternidade, o que tem um clima que eu gosto, friozinho, veranico, friozinho...
Surpresas reveladas nesse mes que para mim é tão especial, que antes que ele terminasse, não poderia eu deixar de escrever sobre as coisas estranhas que aconteceram.
Meu aniversário foi comemorado por quase uma semana... festa, festa, festa e despedida, afinal cirurgia marcada e um mundo de privações pela frente então melhor fazer tudo o que você pode, enquanto pode!!!
E realmente eu fiz tudo, mas tudo mesmo e me diverti muito (como sempre aliás).
Dia 17, tudo certo! Sai de casa, passa no banco, vai para o hospital, pega acesso e espera, espera e o tempo podia ter sido generoso, para me dar tempo... Mas as horas voaram e antes das 16:00 lá ia eu num misto de pavor e alegria numa maca andando pelos corredores sempre frios, comum nos hospitais.
Entro no centro cirurgico e la vamos nós: colocar a tal meia minúscula nessas pernas carnudas, que dificuldade... e também, é só disso que me lembro e quem sabe de respirar numa máscara, se bem que disso não tenho certeza rs!
Dor... sensação de ter uma ferida aberta gigante em mim! Essa é a minha próxima lebrança, que veio acompanhada de morfina, sono e imagens distorcidas que não me lembro... não tenho noção das horas.
De repente ouço meu celular, acho que acordo, devia estar dormindo...
Minha irmã atende, parece nervosa, ouço nomes muito familiares e ela me conta o que aconteceu, um acidente, uma pessoa muito especial no hospital (o mesmo que eu estou). Dito com a voz cambaleante, um número de telefone e fico agitada, mas logo volto ao meu sono, vencida pelo efeito dos medicamentos.
Passo a noite com uma espécie de falta de ar, me afogo segudas vezes e isso aumenta a dor.
Amanhece, prontamente pergunto detalhes do telefonema, achava que poderia ser apenas sonho e não era.
Fico angustiada e nada posso fazer, aprisionada pelos dois litros de soro que pingam incesante e calmamente.
É minha irmã quem vai vê-lo e traz informações, volta preocupada, quase transtornada o que só me deixa mais aflita.
Vem o irmão dele e me conta também o que está se passando e minha mente começa a montar um cenário de falta de lembranças tão preciosas como filho e pai.
Quarta, finalmente posso vê-lo, ele vai até meu quarto e ainda fico preocupada, mesmo sabendo que ele me reconheceu, temo por ele, pela família, pelos problemas.
Quinta-feira, já posso me alimentar, sinto muita sede, meus lábios partem, sinto menos dor, acho que amanhã recebo alta.