segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Manual

E no fim ninguém sabe nada sobre a vida...
Não tem manual, receita, dica ou nada, ou quase nada que tenha aplicabilidade plena com aproveitamento máximo, no sentido de indicar, interferir, solucionar, sanar, melhorar ou mesmo conduzir qualquer coisa, em qualquer âmbito, cotidiano, normal, básico, real, abstrato, simples, composto, cardinal, ordinal etc e tal em nossas vidas, de forma que haja um sentido único, simples de ser transcrito, decifrado, analisado, definido, entendido e resumido.
Mas a vida é assim, ou assada, cozida, frita, refogada.
Tem sabor suave, adocicado, azedo, salgado, amargo e até envenenado.
São as papilas gustativas de nosso humor, que conduzem que sabor nos aprovem em que se transfomam as intervenções diárias de nossos sentimentos em relação ao nosso entendimento.
As vezes 100 gramas é algo tão pesado, que não conseguimos carregar, e vem permeado de significações que se internalizam e nos fazem refletir em centenas de processos cerebrais sobre um determinado acontecimento que se soma em milhares de possibilidades, fazendo nossa mente divagar entre o que realmente aconteceu, o que poderia acontecer e o que gostaríamos que de fato ocorresse.
Aí se misturam expectativas, sonhos, desejos, vontades em contraposição com medos, evitabilidades, frustrações e coisas que realmente esperávamos que nunca acontecessem.
Bem vindos à vida real... aquela vida que não te poupa de nada, nem de alegrias, nem de dores, nem de realizações, nem de fracassos.
Vida de possibilidades, 50% de cada lado, meio termo, riscos!
Sim, você tanto pode tudo, quanto não pode nada!
E o que você faz é montar um lindo mosaico multicolorido, com dominós enfileirados, fragilmente dispostos de forma que tanto pode seu desenho de anseios ser concretizado, quanto ao menor deslize, fazer tudo desmoronar.
Correr riscos... riscos que desenham a vida, numa aquarela frágil de cores semi vivas, ou quase mortas, realizem-se, destruam-se...
Vida de querer, proceder, tentar, conseguir, reviver, envelhecer.
Tantos verbos conjugados e nenhum manual no final.
Ninguém sabe, também não o sei!
E tentaria a vida inteira exemplificar o que eu sinto, mesmo sabendo que hoje não sou mais quem fui ontem e amanhã não me restará nada do que sou hoje.
Transformações profundas acometem o mundo em todos os segundos.
Enfim, isso tudo não é sobre você e nem mesmo sobre mim.
Gostaria de versar palavras que explicassem o mundo, perfeitamente assim, com princípios, meios e fins...
Mas palavras faltam para montar esse manual, então, sinceramente o que me resta é voltar ao ponto inicial!
E no fim ninguém sabe nada sobre a vida!
Assim por agora, termino o que comecei a escrever, indicando a você o início que termina e coloca o fim...