Casualidades
Amanhece, anoitece, vinte e quatro horas passam voando ou se arrastando, dependendo do dia da semana, da nossa pressa, do nosso humor, do nosso dinheiro, de nossas expectativas.
Corremos, andamos, ficamos parados, sentamos, levantamos, deitamos, dormimos, sonhamos, acordamos e começa tudo outra vez!
Olhamos enxergando e enxergamos sem ver.
São tantas coisas diferentes, milhares de partículas de um universo construído todos os dias bem em nossa frente, mas tantos detalhes escapam de nossa percepção que amanhã, se olharmos para alguns deles, vamos acreditar que eles foram recém inventados sem saber que eles sempre existiram.
Pessoas passam cada uma com suas preocupações, com suas alegrias, suas tristezas, suas pressas, suas preguiças e cada uma delas é uma ilha, cercada de si mesmas por todos os lados, impenetráveis a esses estranhos que caminham ao seu lado pelas ruas cinzas das cidades.
De repente, no meio desse ritmo frenético, alucinado, ou calmo e preguiçoso, pessoas estabelecem contatos entre si, por segundos, minutos e jamais voltam a se encontrar.
No ponto de ônibus alguém olha para o relógio repetidas vezes, em gestos automáticos que remetem à pressa do cotidiano e aquela pessoa, com toda a sua pressa e inquietação já não cabe mais nela mesma e precisa se expandir, soltar para o mundo o seu grito de insatisfação e fala para a senhora que olha atentamente para as nuvens carregadas e semi-negras do céu, sobre o ônibus que tanto demora enquanto ela lhe fala sobre a chuva que está prestes a cair. De repente se vêem em um senso comum discutindo sobre o ônibus que pode os tirar dali.
Ela quer abrigo para a chuva que vem se anunciado agora por trovões, ele quer chegar ao compromisso marcado, sem atraso.
Naquele momento de pura concordância, parecem velhos amigos, mas apenas por alguns minutos mágicos, que permitem que confiem um no outro sem nunca terem se visto e com a alta probabilidade de que jamais se encontrarão ou, que se encontrarem novamente não terão esse momento místico e não se falarão novamente e nem se reconhecerão.
Casualidades...
O momento dele, o momento dela.
Cada um em sua ilha, cercados de si mesmos, conseguiram fundir suas porções de seres únicos e defenderem o interesse comum, sendo duas ilhas em uma só, num complexo e completo momento de desprendimento de si mesmos, olhando um ao outro, sendo o outro, se completando!
Apenas alguns minutos.
Quantas vezes isso já aconteceu com você?
Você já foi o universo de muitas pessoas nesses minutos breves e maravilhosos e muitas pessoas já fizeram parte de sua ilha.
Você sorriu para completos estranhos, que jamais reencontrou.
Você reclamou de muitas coisas que te aborreciam para pessoas que te ouviram como anjos numa oração, sem pedir nada em troca.
Você já riu de situações embaraçosas, com pessoas que não sabem nem ao menos seu nome.
Você já discutiu os preços altos com alguém que não entendia nada de economia, mas como você, achou que aquilo realmente estava caro.
E são tantos encontros como esses e ainda tantos outros diferentes, inusitados, quase acidentais que mostram o quão grande é seu espírito, o quanto ele pode viajar além dos limites de seus conceitos sobre falar sobre você e ser quem você realmente é.
Nesses momentos você é muito mais você do que jamais você será diante de seu melhor amigo, de sua família, de quem você ama e de qualquer pessoa que você julgue conhecer ou ache que conheça você.
Essas pessoas que casualmente cruzaram sua vida sabem mais de você do que todos as pessoas com quem você se relaciona normalmente, porque você consegue ser nesses momentos, puramente você, essencialmente você, sem fingimento, sem máscaras, sem nenhuma necessidade de provar coisa nenhuma.
E, no entanto, de tão importantes, essas pessoas duram apenas alguns minutos em sua vida, que geralmente são esquecidos.
Comece a reparar em cada encontro casual em sua vida e escreva sobre seus encontros, os detalhes, o que você pensava que roupa vestia o que realmente queria naquele momento e vai ter ótimas histórias sobre si mesmo para contar e vai ter o privilégio de conhecer um pouco mais sobre essa misteriosa ilha que você é.
Amanhece, anoitece, vinte e quatro horas passam voando ou se arrastando, dependendo do dia da semana, da nossa pressa, do nosso humor, do nosso dinheiro, de nossas expectativas.
Corremos, andamos, ficamos parados, sentamos, levantamos, deitamos, dormimos, sonhamos, acordamos e começa tudo outra vez!
Olhamos enxergando e enxergamos sem ver.
São tantas coisas diferentes, milhares de partículas de um universo construído todos os dias bem em nossa frente, mas tantos detalhes escapam de nossa percepção que amanhã, se olharmos para alguns deles, vamos acreditar que eles foram recém inventados sem saber que eles sempre existiram.
Pessoas passam cada uma com suas preocupações, com suas alegrias, suas tristezas, suas pressas, suas preguiças e cada uma delas é uma ilha, cercada de si mesmas por todos os lados, impenetráveis a esses estranhos que caminham ao seu lado pelas ruas cinzas das cidades.
De repente, no meio desse ritmo frenético, alucinado, ou calmo e preguiçoso, pessoas estabelecem contatos entre si, por segundos, minutos e jamais voltam a se encontrar.
No ponto de ônibus alguém olha para o relógio repetidas vezes, em gestos automáticos que remetem à pressa do cotidiano e aquela pessoa, com toda a sua pressa e inquietação já não cabe mais nela mesma e precisa se expandir, soltar para o mundo o seu grito de insatisfação e fala para a senhora que olha atentamente para as nuvens carregadas e semi-negras do céu, sobre o ônibus que tanto demora enquanto ela lhe fala sobre a chuva que está prestes a cair. De repente se vêem em um senso comum discutindo sobre o ônibus que pode os tirar dali.
Ela quer abrigo para a chuva que vem se anunciado agora por trovões, ele quer chegar ao compromisso marcado, sem atraso.
Naquele momento de pura concordância, parecem velhos amigos, mas apenas por alguns minutos mágicos, que permitem que confiem um no outro sem nunca terem se visto e com a alta probabilidade de que jamais se encontrarão ou, que se encontrarem novamente não terão esse momento místico e não se falarão novamente e nem se reconhecerão.
Casualidades...
O momento dele, o momento dela.
Cada um em sua ilha, cercados de si mesmos, conseguiram fundir suas porções de seres únicos e defenderem o interesse comum, sendo duas ilhas em uma só, num complexo e completo momento de desprendimento de si mesmos, olhando um ao outro, sendo o outro, se completando!
Apenas alguns minutos.
Quantas vezes isso já aconteceu com você?
Você já foi o universo de muitas pessoas nesses minutos breves e maravilhosos e muitas pessoas já fizeram parte de sua ilha.
Você sorriu para completos estranhos, que jamais reencontrou.
Você reclamou de muitas coisas que te aborreciam para pessoas que te ouviram como anjos numa oração, sem pedir nada em troca.
Você já riu de situações embaraçosas, com pessoas que não sabem nem ao menos seu nome.
Você já discutiu os preços altos com alguém que não entendia nada de economia, mas como você, achou que aquilo realmente estava caro.
E são tantos encontros como esses e ainda tantos outros diferentes, inusitados, quase acidentais que mostram o quão grande é seu espírito, o quanto ele pode viajar além dos limites de seus conceitos sobre falar sobre você e ser quem você realmente é.
Nesses momentos você é muito mais você do que jamais você será diante de seu melhor amigo, de sua família, de quem você ama e de qualquer pessoa que você julgue conhecer ou ache que conheça você.
Essas pessoas que casualmente cruzaram sua vida sabem mais de você do que todos as pessoas com quem você se relaciona normalmente, porque você consegue ser nesses momentos, puramente você, essencialmente você, sem fingimento, sem máscaras, sem nenhuma necessidade de provar coisa nenhuma.
E, no entanto, de tão importantes, essas pessoas duram apenas alguns minutos em sua vida, que geralmente são esquecidos.
Comece a reparar em cada encontro casual em sua vida e escreva sobre seus encontros, os detalhes, o que você pensava que roupa vestia o que realmente queria naquele momento e vai ter ótimas histórias sobre si mesmo para contar e vai ter o privilégio de conhecer um pouco mais sobre essa misteriosa ilha que você é.