Egoísta, um ser dono da verdade!
Apenas despercebida de uma realidade paralela que há muitos se revela, mas de mim se esconde e se desfaz sem que ao menos possa tomar consciência da sua veracidade.
Palavras ditas por meus lábios, são sofrimentos de uma cólera apaixonada, de um dom de se sentir incapaz e que dá ares de loucura aos que não convivem nos domínios de minha insana e tão cansada mente, que não conhecem meu submundo de sofrimentos.
Agoniante é o despertar do sono as mais das vezes, é não poder permitir ao corpo descanso eterno e ter que conviver com o mundo feio que se mostra lá fora.
Dominam-me lágrimas em todos os meus estranhos dias, sorrir é um dilema que inspira ares de falsidade quando o que se sente não é jamais alegria.
Mendigo, suplico migalhas de um amor superficial que ninguém doa e ainda sonho profundamente com um amor totalmente mágico e incondicional e talvez o portador dessa forma tão impar de amar não tenha nascido ou jamais se torne real, apenas fruto de meus desejos.
Beijo uma boca que jamais será minha, que se perdeu dominado pelo amor passado que repousa no coração daquele que jura que jamais amou e que ao despertar de sua inércia verá que seu amor ainda vive no passado, por mais que tente viver no presente, descobrirá que seu futuro já ficou para trás.
Mansamente me conjugo como verbos escritos no pretérito imperfeito, vivo subjugada como ser inferior que não consegue ascender acima do chão.
Passivamente, acolho humilhações de uma vida vazia, em que sucumbe o corpo por ser involuntário criador de uma nova vida para a qual não se dá a luz, que jamais nascerá nesse ventre vazio.
Perdeu-se o ânimo novamente, a luta que se devia travar, se transformou em rendição covarde.
Fuga de um desesperador viver, cansado e lastimoso.
Defeitos repetidos, não há conserto para o que não se estragou, simplesmente sempre foi e será o que se é. Nada se transforma, apenas acostumam-se nos enormes e infindáveis dias que ainda há de se contar.
Histórias sem fim de vidas cruzadas que se somam, fazem parte uma da outra sem jamais se completarem.
Sou apenas eu mais uma vez reclamando desse insuportável dever de ter que viver todos os dias sem poder fugir e sempre correndo o risco de dura punição.
Nada adianta não morrer hoje se a cada dia que passa morre a minha alma numa desgraça de tristezas e amarguras sem fim.
Angústias, angústias, cordas que me enforcam me levem para bem longe daqui!
Morte, contemple-me que minha vida já está muito gasta para ser necessário continuar.
Não há de se suportar de novo o amanhã que estacionou e não mais acontecerá, tudo se apaga, é o fim!
Graças a Deus, terminou...
Nenhum comentário:
Postar um comentário