domingo, 8 de fevereiro de 2015

Fazer o bem, me faz bem!

E essa é mais uma história de um dia comum...
Não fossem os significados, de pequenas coincidências, que às vezes, ficam ofuscadas pela correria do dia a dia e passam desapercebidas.
Sim!
Acredito, que todos os dias, acordamos com uma missão, com um plano traçado, mas nem sempre concluímos nossas tarefas com êxito, quer seja por egoísmo, por falta de fé, ou simplesmente por estarmos cercados por uma cegueira que nos impede de enxergarmos quem não nos interessa.
E geralmente temos interesse especificamente, apenas por aquelas pessoas, por quem nutrimos mais amor e afinidade, como amigos e familiares. Via de regra é quase sempre assim.
Mas, quando abrimos o nosso coração, nos damos conta, que ele é do tamanho do Universo, guiado por uma força muito maior e se nos deixarmos levar, intuitivamente, ele sempre nos conduzirá a quem mais precisa.
Não precisa ser uma busca consciente, do tipo: hoje vou sair procurando quem ajudar.
Isso sempre acontecerá naturalmente, pois será regido pelas leis do Universo, basta se entregar e encher o coração de amor e colher os frutos.
Para algumas pessoas, pode soar apenas como mais uma história boba, mas para mim, é mais uma história, entre tantas que tem acontecido na minha vida depois que decidi me entregar aos outros também e que faz meu coração transbordar de felicidade e que tem feito toda a diferença na minha vida, que tem moldado meu caráter, lapidado minha alma e a cada dia tem me tornado um pouquinho melhor.
Logo eu, com fama de braba, briguenta, nervosa, estressada... veja, como é possível, através da reforma íntima, melhorar e fazer as coisas mais brandas e agradáveis e transformar grandes depressões em solos férteis, jardins belos, dias ensolarados.
E foi assim, que saí atrás de uma costureira no bairro, para reformar duas saias e um vestido, que ficaram muito largos depois que perdi alguns quilos.
Fui em duas e estavam fechadas e então decidi ir, num lugar que faz uniformes escolares, já sem muita esperança, apenas para perguntar.
Detalhe que as outras duas eram bem longe e essa última, fica a uma quadra de casa, na minha rua.
Chegando lá, o marido da senhora, muito simpático e conversador me disse que eu teria que perguntar para a sua esposa, que ela andava muito ocupada, já que as aulas estavam para começar e ela estava com muitas encomendas de uniforme.
Me pediu para esperar uns minutinhos, que ela estava lá dentro tomando um café.
E eu, encostei minha bicicleta e fiquei esperando bem tranquila, sem muita esperança que fosse dar certo.
Chegou um casal com uma menininha linda, pegar um uniforme e eis que chegou a "senhora".
Eu cedi a minha vez para eles, afinal, não estava com pressa e era sábado!
Fiquei analisando... olhando bem para aquela senhora, observando suas roupas e fiquei meio sem jeito, pois ela tinha um tipão de evangélica, não que eu tivesse algo contra.
Chegou minha vez de ser atendida.
Tirei minhas saias brancas e meu vestido de cor igual.
Expliquei que emagreci muito e que as saias passavam reto na minha cintura e que a alça do vestido não parava, mesmo fazendo menos de dois meses que comprei. Disse que precisaria para quinta-feira, pois iria usar.
Ela analisou, analisou... disse que poderia fazer, pelo menos uma para eu poder usar na quinta e já emendou a pergunta: você é da umbanda?
Me deu um frio na barriga, mas não foi uma pergunta de desaprovação, que era o que eu estava temendo... respondi que sim e ela sorriu e disse: eu também já fui.
Fiquei aliviada e confusa. Confesso que foi engraçado hehehehehe
Ainda estávamos conversando quando chegou um casal, a moça era parente da senhora.
Ela comentava sobre emagrecer, que não era fácil e contou para mim: ta vendi essa moça? Entrou na fila para fazer bariátrica! E a moça contou, muito feliz, que já estava com a data marcada!
De repente a senhora mudou de expressão, ficou visivelmente apreensiva.
E soltou: - E minha filha opera na segunda...
Pronto... Estava feita a conexão
Estávamos ali, três pessoas, completamente desconhecidas, num lugar totalmente inusitado, na hora certa, no momento certo, falando do assunto certo.
Logo, abri meu coração e expliquei que havia feito bariátrica há quase 5 anos, que às vezes engordava, que era uma batalha diária.
Expliquei que tinha engordado "uns quilos" e que em dezembro tratei de me empenhar para me livrar de todos eles, por isso tinha emagrecido tanto.
A filha iria operar pelo SUS, logo perguntei se a cirurgia era aberta, ela disse que sim, que tinha muito medo e mais uma vez, consegui aliviar o coração da pobre senhora.
Expliquei que a minha cirurgia tinha sido feita assim também, expliquei sobre os cuidados, falamos por um longo tempo e minha intuição me fez perguntar... sua filha já tem aquela cinta que é necessária para a cirurgia (que por sinal é bem cara).
Ela disse que não, que não tinham conseguido comprar ainda, às vésperas da cirurgia.
Eu apenas sorri e disse: eu acho que tenho a minha guardada, nem sei porque, devia estar esperando pela pessoa certa né!
Corri para casa e voltei para entregar a ela.
Essas coisas me deixam feliz... e ser feliz para mim, custa muito pouco!
Beijos a todos com muito Axé.

Alexandra Mello

sábado, 3 de janeiro de 2015

Frustrações

E seu coração será sempre um grande traidor
Você cairá inocentemente, nas imensas armadilhas
Que ele deixará armadas, nas esquinas desavisadas
Das suas ilusões e seus anseios...
Você estará radiante, cheia de ótimas intenções
Enquanto lá vem a rasteira fulminante, pronta pra lhe dar o bote
E é por isso que você vive triste...
Porque se arma de mil boas vontades
Prepara o banquete lindamente
E quando tudo está pronto e perfeito
Eis que não aparecem os convidados
E tudo se perde...
E a frustração é uma inimiga poderosa
Que desanima gradativa e silenciosamente
Pois um dia você se cansa de fazer tudo
E não receber nada, que não sejam críticas
Reclamações...
As pessoas nos magoam, nos magoam...
Como se fôssemos de concreto, sem sentimentos
Alienados, objetos decorativos
À mercê de sua servidão...
Eu queria poder acordar e ir dormir, usando o dom que recebi
O de poder falar... falar
Com quem precisa, sabe ou quer ouvir
Ajudar... fazer o bem gratuito
E acumular minha fortuna nos céus...
Quem conhecer o tamanho do bem que carrego no coração
Jamais me faria mal
Jamais me magoaria...
Pra não estragar esse tesouro tão especial que Davi criou
Peça única, lapidada em ouro de bondade
Esteve adormecido, mas renasceu para o bem
Ao lado de Santa Sara e de Jesus.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Silêncio

Ahhhhhh, deixa quieto...
O silêncio te faz pensar melhor
Se está sozinho, faz-te companhia seus pensamentos
Se estás triste, inventa alegrias pra te fazer em sorriso
Se sentes falta de algo, fique apenas em si mesmo
Ser auto suficiente é um exercício
Quem sabe ignorando o que está a sua volta
Você poderá ser capaz de ter a ilusão
De que jamais precisou de alguém
Ou de que ninguém lhe faz falta
Talvez devesse ser assim...
Eu tenho sido minha melhor amiga
Tenho me perdido em conversas com meu silêncio
Tenho me acompanhado de meus pensamentos
Tenho inventado sorrisos para me alegrar
E isso tudo me dá a sensação que não estou só
Mas só estou... apenas em mim
E o que quero, é apenas fingir
Que nada aconteceu,
Ignorar passado e presente
Enxergando apenas o futuro
E é somente ele que me importa
E é lá que quero estar...
Até que se esgote o próximo segundo
E a vida se esvaia em presentes futuros
Em mutações cronológicas
E o fim chegue naturalmente
Sem questionamentos, reclamações
Tentar, tentar, tentar
Isso era tudo o que me importava
Mas hoje, desistir passa a ser minha melhor opção
Desistir de tudo o que não irá valer a pena!
Há coisas que jamais mudarão
E para todas essas, já não há em mim lugar
Paciência e nem mesmo intenção
Quero apenas, o que sabidamente possa dar certo!

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Manual

E no fim ninguém sabe nada sobre a vida...
Não tem manual, receita, dica ou nada, ou quase nada que tenha aplicabilidade plena com aproveitamento máximo, no sentido de indicar, interferir, solucionar, sanar, melhorar ou mesmo conduzir qualquer coisa, em qualquer âmbito, cotidiano, normal, básico, real, abstrato, simples, composto, cardinal, ordinal etc e tal em nossas vidas, de forma que haja um sentido único, simples de ser transcrito, decifrado, analisado, definido, entendido e resumido.
Mas a vida é assim, ou assada, cozida, frita, refogada.
Tem sabor suave, adocicado, azedo, salgado, amargo e até envenenado.
São as papilas gustativas de nosso humor, que conduzem que sabor nos aprovem em que se transfomam as intervenções diárias de nossos sentimentos em relação ao nosso entendimento.
As vezes 100 gramas é algo tão pesado, que não conseguimos carregar, e vem permeado de significações que se internalizam e nos fazem refletir em centenas de processos cerebrais sobre um determinado acontecimento que se soma em milhares de possibilidades, fazendo nossa mente divagar entre o que realmente aconteceu, o que poderia acontecer e o que gostaríamos que de fato ocorresse.
Aí se misturam expectativas, sonhos, desejos, vontades em contraposição com medos, evitabilidades, frustrações e coisas que realmente esperávamos que nunca acontecessem.
Bem vindos à vida real... aquela vida que não te poupa de nada, nem de alegrias, nem de dores, nem de realizações, nem de fracassos.
Vida de possibilidades, 50% de cada lado, meio termo, riscos!
Sim, você tanto pode tudo, quanto não pode nada!
E o que você faz é montar um lindo mosaico multicolorido, com dominós enfileirados, fragilmente dispostos de forma que tanto pode seu desenho de anseios ser concretizado, quanto ao menor deslize, fazer tudo desmoronar.
Correr riscos... riscos que desenham a vida, numa aquarela frágil de cores semi vivas, ou quase mortas, realizem-se, destruam-se...
Vida de querer, proceder, tentar, conseguir, reviver, envelhecer.
Tantos verbos conjugados e nenhum manual no final.
Ninguém sabe, também não o sei!
E tentaria a vida inteira exemplificar o que eu sinto, mesmo sabendo que hoje não sou mais quem fui ontem e amanhã não me restará nada do que sou hoje.
Transformações profundas acometem o mundo em todos os segundos.
Enfim, isso tudo não é sobre você e nem mesmo sobre mim.
Gostaria de versar palavras que explicassem o mundo, perfeitamente assim, com princípios, meios e fins...
Mas palavras faltam para montar esse manual, então, sinceramente o que me resta é voltar ao ponto inicial!
E no fim ninguém sabe nada sobre a vida!
Assim por agora, termino o que comecei a escrever, indicando a você o início que termina e coloca o fim...

domingo, 26 de agosto de 2012

O cigarro

No princípio era o repúdio, na moralidade de minha doce infância...
Via meus pais ali, tragando e expirando aquela fumaça branca azulada, com cinzas espalhadas, um cheiro ruim, brasas que se acendiam e cripitavam na noite e se acendiam mais intensas em meio a tragadas, risadas, palavras e tosses roucas.
Então, simplesmente por convenção ou convencimento, eu negava aquele vício e me imaginava na minha distante vida adulta, longe dele, porque cheirava mal, fazia mal...
De braços dados com a adolescência, veio aquela rebeldia e desafiar o que era certo, era dever, prazer e então instalou-se o "desafio do desafiar"...
Às vezes, ia andando até o colégio e economizava a grana do bonde e comprava um solto pra na hora do lanche, me juntar àquela rodinha de pessoas descoladas e acender o pito e esbanjar liberdade e poder... e eu podia tudo nos meus lindos 13, 14 anos!
Eu era tão revolucionária, que as piores idéias (que sempre são as melhores) partiam de mim.
Organizava excursões à liberdade e depois do recreio arrebanhava a sala de aula toda para enganar a tia do portão dizendo que não tínhamos mais aula e as portas se abriam e fugíamos contentes e vitoriosos rumo a aventuras.
Saindo do Água Verde, cruzávamos o centro rumo ao Shopping e no Centro Cívico, lá estávamos nós no Mueller.
Me achava a rainha da contravenção e isso me conferia tanto poder, que as pessoas me rondavam sempre, como quem se fascina por um líder e o segue onde quer que ele vá.
E nossas armas eram nossa juventude, nosso destemor, nossa alegria e nossos cigarros, que mais pareciam uniformes e demarcavam quem eram as pessoas mais legais.
Deve ser por isso que comecei a fumar, por essa necessidade de ser, ou em me fazer diferente!
Driblei tudo e todos desde cedo, em busca das coisas que eu queria.
Dificilmente em algum momento pessoas conseguiram me fazer desistir das minhas vontades.
Jamais me acovardei em lutar, em mudar, em transpor limites, abrindo portas onde existiam apenas paredes...
Quando minha mãe suspeitou, vasculhou minha mochila surrada e encontrou carteira e isqueiro... acho que ela sentiu o cheiro enquanto eu tomava banho muito feliz com o cigarro preso a um grampinho de roupa pra não molhar!
Nem era vício, era o prazer de fazer o avesso do convencional.
Não eram tragadas, era impunhar uma bandeira de conquista pelo que eu queria e ninguém poderia me impedir!
Ela contou a meu pai... senti um medo escorrendo pelo corpo e enfrentei, com aquele sarcasmo que me faz rir nas horas mais impróprias! E ele disse, acenda um e fume.
Então peguei o cigarro, coloquei no canto da boca, o isqueiro subiu junto, fiz uma concha pra espantar o vento e o fogo veio e se misturou ao papel e ao fumo, que incendiou aquele tubo branco de papel pra fumaceira começar fácil.
Puxei aquela fumaça grossa, densa, com gosto de queimado e soltei aquela nuvem branca que ficou entre mim e meu pai.
Aí nesse momento, imaginei qual seria o veredito...
Eu estava ferrada, essa era a única certeza que me vinha à mente.
Ele olhou pra mim, com um olhar intrigado e disse:
- Olha! E acendeu um cigarro... Puxou a fumaça, abriu a boca e nada... A fumaça não estava lá!!!!
Depois de alguns segundos, um milagre aconteceu! A fumaça saiu pelos lábios.
Então ele riu e disse:
- É assim que se traga!
E então eu entendi que eu nem sabia tragar e minha mãe ficou furiosa, pois esperou que eu levasse aquela mijada e o que meu pai fez, foi me ensinar a tragar.
Depois desse episódio, coisas passaram a acontecer.
Quando eu ia para Castro, no final de 91, meu pai gentilmente deixava na cozinha, uma carteira de "Capri" dando sopa.
Sabia que não era dele e nem pra ele.
E abria a carteira e deixava ela lá, ia furtando aos poucos e sabia que ele estava me vigiando.
Então passei a fumar e fumar e fumar.
Agora entendo esse "fumar" como um vício, que ao mesmo tempo era necessidade e que se revertia em prazer.
Acordava já pensando nele e o procurava para matar minha vontade e ele estava comigo o dia todo e eu sequer pensava no motivo de precisar daquilo.
Nos últimos anos as coisas estavam ainda mais automáticas... Fumava, fumava, fumava, acendia um cigarro no outro, entre um e outro usava bombinha para asma e meu ar já era escasso e meu pulmão doía.
E mesmo assim eu fumava, tragava aquela fumaça para consolar minha alma da necessidade que aquilo me causava e os gestos ficaram somente ainda mais automáticos e impensados.
O cigarro se tornou um vício desnecessário, que não me acrescentava em nada, me fazia mal, me deixava mal, dilacerava aos poucos meu corpo e fui me escravizando num prazer que eu sequer tinha consciência que era desnecessário.
Fui parando aos poucos...
Comecei a vê-lo menos, a meta era fumar em espaços cada vez maiores e maiores e maiores.
E meu corpo estava mal... eu estava morrendo e não sei se queria morrer por causa de um vício maldito.
Então, um belo dia, eu quase morri de verdade durante a madrugada, em meu quarto.
Acho que foi o propulsor da decisão final...
Meu pai já não estava mais aqui, fazia um ano que ele tinha ido, sem sequer dar um adeus.
Na madrugada acordei, como que afogada e o ar não entrava e me deseperei tentando tragar ar para meus pulmões e ele não vinha e lutei quando a morte parecia certa.
Passado um tempo, não maior que um minuto, o ar veio tímido e a cor voltou a meu rosto e eu respirei e quando acordei, pensei nele.
Mesmo sabendo o quanto ele fez parte da minha vida e o quanto eu precisava dele, o deixei de lado, na estante ao lado da cama, onde podia vê-lo e até tocá-lo se eu quisesse, mas não o desejei, não me dominei por ele, não mais o permiti em minha vida.
E os primeiros dias foram confusos, associava tudo a ele, desejava ele, queria ele a todo o momento... ao acordar, depois de comer, ao estar no ócio, ao sair, ao piscar, ao respirar...
E uma fome avassaladora tomava conta de mim, evitava aquela fumaça que pairava sobre minha alma, comendo a toda hora para preencher um estranho vazio.
E os dias foram passando e as coisas foram ficando mais fáceis, e o desejo diminuiu, sonhava com ele... e acordava pensando "não resisti"... mas não era a realidade.
E no mundo real eu fui desistindo daquele grande mal, dia após dia, resistindo a tentações de voltar atrás e descobrindo que na verdade eu nunca precisei dele.
E depois de quase 20 dias me convenci, que era hora de fazer algo por mim e comecei a cuidar de mim mesma e ressurgi e me apaixonei outra vez por mim.
Então comecei a me cuidar, a comer menos, a andar mais, a beber mais água, a ir em outros lugares, a ver outras pessoas.
Mas o vício ainda está em mim!
Mesmo sem sentir vontade consciente, penso no prazer, em estar com ele e como ele combinava comigo, como ele me dava um ar mais despojado e como ele desejava me matar aos poucos... e como realmente eu quase morri e acordei descobrindo que não... ainda estava viva!
E desejei viver e viver passou a me fazer bem e hoje viver é minha única opção.
Então estou aprendendo algumas coisas novas a cada dia e cada dia fica mais fácil estar longe e no final das contas, parece que isso jamais fez parte de mim e que na verdade, eu nunca fumei!

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Sonho...

Essa noite passeei por corredores de hospitais, era doente ali, mas era a menos enferma.
Encontrei pastas, li prontuários e me deparei com óbitos.
Fui liberada para acompanhar funerais, onde pessoas necessitavam da minha força.
Estranhamente, conversei com várias mulheres e todas elas estava no banheiro, disputando um espelho, preocupadas tão somente com suas vaidades imediatas.
No meio de tanta gente, encontrei uma senhora, com a tristeza estampada no rosto, sem nenhuma maquiagem, sem nenhuma vaidade, estava ali por estar ali.
No exato instante que a vi, lembrei do prontuário, uma criança de 5 anos, câncer e a identifiquei como familiar desse inocente e entendi porque eu estava ali.
Comecei a conversar com ela, confirmou-me que era mesmo esse caso e então, comecei a falar da vida, da brevidade dela e sobre as dívidas que nós mesmos assumimos para estar aqui.
Ela me disse que estava muito triste e queria tê-lo ao seu lado... e só pude lhe dizer que, amar é uma coisa muito bela, que devemos amar sem limites, incondicionalemente, mas, quando uma pessoa se vai, ela tem um novo caminho a trilhar e reclamar a presença física dela a todo momento, corresponde a amarrá-la atrasando o seu novo caminhar.
Pedi a ela, que em seu imenso amor, trouxesse alegria nesse sentimento de perda, lembrando dos doces momentos em que teve com essa linda criança em sua breve existência aqui na Terra.
E seus olhos se encheram de luz, porque aquilo tudo o que eu dizia, começou a fazer sentido para ela e ela transbordou amor nesse momento, me abraçou, disse que eu era uma pessoa muito linda e saiu.
Eu estava em um cemitério onde tinham pelo menos 3 funerais acontecendo simultâneamente.
Mas dentre todas as pessoas, apenas aquela mulher parecia estar vivendo um momento de perda, de luto, enquanto todas as outras, pareciam estar num desfile de vaidades exacerbadas....
Enfim, acordei...
Mas foi um sonho, porém de uma realidade tão grande, que acordei com a sensação de que uma grande verdade se manifestou para mim enquanto eu dormia.
Meu domingo está mais significativo, antes mesmo de levantar, já fiz um bem e essa sensação eleva o espírito de qualquer ser e traz uma sensação de paz.
Talvez tenha sonhado tudo isso, por ter usado palavras parecidas no final da noite, para conter lágrimas que minha filha trazia aos olhos, pedindo pelo pai, que assim como aquela criança do sonho, também partiu.
E ela, assim como a mulher do sonho entendeu, que a vida não cessa com a morte, que tudo é um processo natural de evolução e cada um tem seu caminho a percorrer.
E, nos deparando com a morte, sofreremos a perda, mas devemos deixar o espírito livre para continuar sua jornada, que a partir da morte, é apenas um processo longe de nossos olhos.
Bom domingo...

sábado, 7 de julho de 2012

Desmotivação

Motivos a gente acaba tendo muitos, sempre...
Para sorrir, para chorar, para comemorar, para lamentar!
Porém, ando sendo acometida por um desmotivo, uma desmotivação...
Onde deveriam sobrar-me os motivos para ser feliz e viver assim e assado, é dado lugar a desmotivação, como se me tirassem os motivos e tudo isso fosse substituído por um nada, um vão, um abismo entre o que eu sou, o que eu fui e o que eu irei ser.
Perspectivas sumiram como por encanto e se instalou um breve não querer que não vai embora, um nada, um vazio.
Estou de novo na estaca zero de um recomeço cego onde não sei para onde quero ir, por que ir e quando ir.
Então me reservo ao direito leve, livre e solto de não ser e não estar e ficar no ponto onde estou, imóvel e estagnada como pedra.
Ahhhhh essa vontade de nada, que coisa estranha...
Nem megasena, nem dinheiro, nem luxo, nem amores, nem sonhos, nem vontades só nadas...
São muitos nadas e zeros a esquerda que não somam, não subtraem, não multiplicam e não dividem...
Nadas absolutos, absolutamente coisa nenhuma.
Enquanto isso, inicia-se um vegetar total, uma plantação vegana de legumes, tubérculos, ervas, matas, plantas, capões de imagine-se... invisibilidades de coisas a fazer, querer, ser e estar.
Cansei... deve ter sido isso, só isso
Não é reclamação nem lamento.
Não é dor nem tristeza....
Sabe? É nada!
Hoje to assim, nada...
Não quero nada, não vivo nada, não sou nada!
Estou na paisagem, camuflada em paredes brancas e com ares de fantasma, sou um espectro fantasmagórico me movendo entre tudo imperceptível e calada.
E vou sumindo, sumindo e me desintegro nessa preguiça vadia e vagabunda de não querer viver o hoje e querer apenas pular para o final da história com tudo pronto, resolvido, mastigado, solucionado, raciocinado....
Sério, é só isso, essa preguiça inteira de viver.
To descansando de mim mesma e estou achando ótimo.
Amanhã me revejo, me reinvento porque hoje é só despedida, até amanhã quem sabe...