segunda-feira, 14 de maio de 2012

Vício

Coisas sem explicação geralmente são aquelas que se sobrepõem à razão, não tem quantia líquida nem certa de valores agregados para se medir, pesar, contabilizar... são permissividades do ser sem se esclarecer, apenas permanecer na ignorância do não saber consciente.Mas justifico-me nos meus destemperos com desígnios de palavras simples e arrebatadoras que poderiam dar forma e razão para essas sentimentalidades que me acomentem.
Não seria doença, praga, moléstia, defeito, efeito e sim dependência física, mental, fisiológica, psicológica, cardiológica.
Meu mal deveria ser meu bem, mas é meu vício o senhor do meu corpo, proprietário da minha razão, comandante da minha emoção, motorista da minha direção.
Sou viciada no amor, na dor, no dissabor...
Não sei viver sem quem, estou sempre dependendo de alguém, uma pessoa só que faz de mim tão só como se minha garganta estivesse pendurada por um nó, pronta para cair, escorregando, empurrada, lutando para subir, subir, sem degrau, apenas sentindo um mal, querendo água e bebendo sal...
Que mundo surreal, coisas tão simples explodem em uma discussão banal, não gosto disso, não quero isso.
Por favor, traz de volta para mim a liberdade de expressão, palavras verdadeiras, com emoção, olho no olho, cabeça, corpo e coração, não me ilude, gosto ainda da razão.
Lua, nuvem, estrela, vento, frio, congelamento, empedra meu coração aqui dentro.
Onde estão todos? Onde foram os que amo?
Fiquei apenas com meus enganos...
Constrói, destrói, tudo machuca, tudo dói... não tem que ser assim.
Juramos ser melhores, mas encenamos nossos papéis, continuando a ser os piores...
Não quero assim, quero assado, não me de frito, quero cozido, não adianta refogado.
Eu mudei, de cidade, de casa, de corpo, de dente, de roupa, de cabelo, de voz, de alma e mesmo assim, parecendo estar melhor, estou interiormente pior.
O mal me faz bem, e faço bem o mal, mas não quero fazer, nem para mim e nem para você...
Quero ser feliz, abro mão da felicidade por você, quero fazer o bem, mas o mal às vezes me convém...
Hoje estou ótima para escrever coisas absurdamente sem sentido, só palavras vão se esvaindo e respiro profundo, desculpe-me vida, não sou perfeita, mas enfim, esse é meu mundo.
Hoje eu não sou de mim mesma, não pertenço a nada, nem a mim, não estou em lugares listados em mapas, não estou no certo e nem no errado, mas quero estar junto e toda a hora, somente no colo calado do seu corpo, ou pelo menos ao seu lado.
O problema não seria você, o problema seria apenas eu... vicio maldito
Preciso-te, injeta-me essa dose remanescente de me fazer feliz, vou cheirar esse pó da sua luxúria em mim e fumar esse cigarro do seu beijo, enquanto uso comprimidos sublinguais de suas mãos no meu corpo e bebo desse chá das migalhas do seu amor... Preciso-te!

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