quinta-feira, 3 de maio de 2012

Saco Vazio!

E no fim eu tentei guardar o melhor de mim em você
Tentei fazer você melhor achando que sendo dois seríamos mais
Mais unidos, mais fortes, mais felizes
E nada no mundo separaria nossas coisas já tão misturadas
Ninguém saberia se aquele riso era meu ou seu
Se aquele vocabulário era de palavras suas ou minhas
Tanto era o mesclado de viver
Identidades se tornaram idênticas
Pessoas afins, afinidades, combinações
Convivência, conveniência...
Compartilhamentos de sonhos comuns
Verdades inexistentes
Palavras incoerentes
Absoluto nada...
Mentiras, falsidades
Errei eu, errou você
Nada de acerto em nossa imperfeição
Mágoas milhões, tristezas pelo chão
Promessas curtas voando ao vento
Cansei, desisti
O melhor de mim não pode se perder outra vez
Já morri milhares de vezes em você
Por favor, não me mate mais uma vez
Eu mereço viver por mim e para mim,
Chega um pouco de você,
Se você já não se contenta em mim
Se eu já não sou, não era ou não fui
O amor que deveria ter sido para você
Não fui suficiente para ti
Reinventei uma pessoa em mim para tentar te compensar
Nada, nada
Nada adiantou, nem mesmo eu ser o melhor do melhor
Nada te bastou, nada te basta
Te enchi com meu melhor, tentei te preencher
Mas onde depositei tantas coisas
Escaparam todas elas por um furo
E você continuou vazando, vazio.
Um vazio insustentável
Onde não se consegue parar em pé
E eu que achava que caia sempre ao chão,
Hoje percebo que o chão é só seu
E que eu me vejo somente em glórias
Envolta em luz, no meu intenso brilho natural
Sou eu, a melhor de todas
A mais capaz até do incapaz!
Enquanto eu vejo em você apenas derrotas
Que levam tudo ao ralo
E não quero mais fazer parte disso
Por que teu mal é o meu mal
E não é justo você sugar de mim tudo o que tenho
Portanto vou me afastar, já me afastei
Estou longe hoje de verdade
Física, emocional e racionalmente longe
E era assim que você gostava de mim,
Eu aqui e você aí
E então abri os olhos e percebi,
Que na verdade na distância de tudo o que eu sentia
Eu deixei de existir, seu amor não era um fato
E sim uma rédea que segurava sua opção
Para que não ficasse só
E sempre pudesse correr para algum lugar quando todos te deixassem.
E eles já te deixaram, você não tem mais nada
A não ser seu egoísmo perfeito
Que te fez acreditar cegamente que suas necessidades sempre se sobressaem
E qua nada mais no mundo importa a não ser você mesmo
Boa sorte para você, com você e só você, ou você "só"
Se baste e viva no seu isolamento feliz!
Te amei quando éramos dois, mas agora um de nós morreu...
E não há mais nada a se fazer, nem mesmo uma despedida
Melhor ignorar, não saber e simplesmente,
Continuar a viver!

sábado, 7 de abril de 2012

Vida de megasena...

Eu deveria seguir mais minhas intuições, meu sexto sentido e acreditar menos na minhas expectativas.
Parece meio duro, você não se permitir esperar que as coisas aconteçam como você quer que elas aconteçam. Mas as intuições sempre estão corretas e vão além das expectativas.
O fato de você desejar muito uma coisa, acaba se sobrepondo à razão e você passa a habitar uma onda otimista e acredita que as coisas que você planeja, deseja e quer vão simplesmente se cumprir e se transformar em realidade.
E quem me dera, te dera e a todos dera, que isso fosse verdade.
Aquele lance de sonhar é permitido, mas é tão arriscado que te eleva a um céu que você cria e de lá você desaba.
Quantas quedas sofremos e sofremos e sofremos.
Como seria bom ter "o dia do vai dar certo"...
Acho que eu sou meio azarada, porque planejo coisas tão simples, como passar um dia feliz com quem devia me fazer feliz e isso não tem nada de complicado, porém acaba também não dando certo.
Vá lá, se fosse algo mais sofisticado, ambicioso, como ganhar na megasena, eu até entenderia, pela porcentagem quase absurda de probabilidades disso acontecer... Mas na minha vida às vezes, um dia de felicidade parece tão difícil de se ganhar, como uma megasena.
Você faz planos tão simples de somente estar ali, do lado daquela pessoa especial e vai lá, está lá fisicamente e a outra pessoa não...
As pessoas acabam se transportando para o centro do universo deles, mesmo sabendo que você está ali só por ela.
E mesmo naquela presença física, a pessoa se torna invisível.
Como é difícil ser feliz com alguém, se esse alguém não quer ser feliz, não quer ser feliz "com você" e nem quer te fazer feliz.
E penso que esse altruismo que eu doo com tanta dedicação e amor, está sendo direcionado para o lado errado.
Seria mais proveitoso emanar essa onda de amor tão grande que eu sinto, ali na rua, para aquele pedinte, para aquela gente anônima que encontramos diariamente.
Questão de desmerecimento...
Acho que meu amor é desmerecido!
E penso tanto em desistir, mas aí vem a expectativa combinada com a dúvida.
E passo a achar que eu posso estar errada, que as coisas que eu vejo, sinto, imagino, são fruto de uma percepção distorcida.
Vem o julgamento e a culpa: Você pode estar errada!
Se eu esiver errada, o egoísmo passa a ser meu, a injustiça passa a ser minha e eu tenho verdadeiros medos de errar com as pessoas como elas erram comigo.
Então eu persisto e a vida vai passando e os anos vão passando e meus negros cabelos vão se misturando com prata, e a pele vai se enrrugando e o cansaço vai se instalando...
E eu me pergunto: Valeu a pena?
Amanhã posso não estar aqui...
E o hoje que era pra ser vivido intensamente, acaba sendo deixado para amanhã, porque hoje não deu certo, ontem não deu certo, semana passada não deu certo, nem ano passado...
Será que só eu estou fazendo alguma coisa errada?
A culpa pode reamente ser só minha?
Ou eu estou me empenhando sozinha em busca de uma vitória unilateral que nunca chega...
A grande questão é: Ela chegará?
Talvez eu esteja andando em círculos por conveniência, sem sair nunca do mesmo lugar.
E de repente vem uma vontade de escolher um caminho novo, mesmo sabendo que cada centímetro de mim quer aquele caminho onde estou.
E eu amo, amo, amo...
Mas mesmo ouvindo que sou amada, começo a desconfiar que amar para mim é uma coisa tão intensa que só eu sinto e o que eles sentem é apenas uma necessidade de ter alguém para despejar seus problemas, suas necessidades, pensando apenas neles próprios e jamais em mim, enquanto eu luto para fazê-los felizes, eles parecem só precisar mesmo, que eu continue a fazer isso para sempre por eles, sou a escrava que tem a obrigação de fazer feliz, mas não pode ser feliz!
E eu faço tanto... mas tanto... que definitivamente estou muitoooooooooo cansada para conseguir continuar a fazer sem receber nada em troca.
Vai-se o altruísmo e dane-se... vem egóismo, vou fazer como eles fazem!!!
Nem migalhas... e quem quer viver apenas de migalhas?
Pelo menos uma vez na vida quero ter um banquete de amor, carinho e ser a prioridade!
Ok, a partir de hoje eu sou a minha única, absoluta e melhor prioridade e contentem-se em um dia terem sido isso para mim, pois provavelmente agora que sou o centro do meu universo, nunca mais enxergarei vocês, nem que estejam a um centímetro do meu nariz, pois agora vou enxergar apenas meu próprio nariz e meu próprio umbigo!

quarta-feira, 28 de março de 2012

Midas

De repente olho pela janela e vejo a cavalgada sombria dos cavaleiros do apocalipse, montados em suas armaduras medievais, espalhando o medo do fim aos quatro cantos da Terra.
Diante dessa cena surreal, nada mais me restou... tive que rir.
Ri do final dos tempos, do fim do mundo e brindei à vida!
E a vida era tão doce, que mesmo quando parecia amarga, sentia o gosto açucarado de ser feliz além das expectativas dos reles mortais.
Isso tudo porque, tenho uma capacidade incrível de transformação, interior, exterior, física, mental e chego a ter um toque de Midas em transformar as coisas. Não em ouro claro, até porque se soubesse transformar qualquer coisa em ouro, já estaria rica.
O meu toque de Midas, transforma coisas simples, em coisas melhores, em coisas elementares e necessárias. Coisas absolutas, raras, necessárias e úteis. Jamais fúteis!
Coisas que se adequam a natureza essencial de viver e viver melhor. Em ser melhor, em ser feliz e em sorrir todos os momentos.
Esse sorriso fácil, que consola qualquer alma, que tem som de colo e abraço, que estampa felicidade no rosto dos outros, ou de todos.
Sou uma magnífica semeadora se sorrisos!
Lógico que nem todos sorrisos são verdades nesse contexto.
Há sempre quem irá sorrir por absoluta simpatia, gesto automático, vago, involuntário e até mesmo desnecessário.
Nossa que coisa... essa nossa sociedade às vezes tem uma coisa tão medíocre. Uma falsidade né?
Eu concordo que as pessoas tentam interagir com estranhos, tentando ser o que não são, mas para agradar (sei lá porque, já que são estranhos).
E o que existe de mais estranho, é um estranho querer não parecer estranho a outro estranho. Isso me causa enorme estranheza.
O ser humano adora agradar!
Tem coisas inexplicáveis mesmo, ou seria isso apenas uma convenção de simpatia para agradar a Gregos e Romanos (ou seria Troianos?)
Aqueles Cavaleiros do Apocalipse deram meia volta.
Eles estavam com uma caixa de som, conectada a um MP3, curtindo um Calypso e pareciam todos chapados ou alcoolizados.
Bando de inúteis!
Entornaram o caneco e esqueceram que hoje era o dia do juízo final e perderam o juízo e o mundo continuou a ser mundo e imundo.
E a vida continuou celebrando seus batimentos cardíacos e suas veias de vidas de seus habitantes, seguiu a jorrar contestamentos de para onde vamos e quem somos.
E o homem filosófa, as idéias vagam por entre nossos pés. Tropeçamos nelas e catamos por esse chão, indícios do que podemos fazer para sermos melhores, mas teimamos em não concordar e passamos a ser simplesmente nós mesmos, na simplicidade de nossa existência ímpar!
E assim, mais uma curta quarta vai chegando ao fim!
Amém

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Só Insônia

Essa sensação de estar dormindo quando se está acordada é no mínimo desconfortável.
Você sabe que daqui a uma hora terá que estar em pé, começando a se produzir para mais um longo e exaustivo dia de trabalho. A hora que você mais precisa desligar, o botãozinho de off não responde!
Pronto... A máquina travou!!!
Não desliga, mas também não está totalmente ligada.
Começa a se habitar um mundo paralelo de reflexos, luzes, sombras, movimentos, confusão, medo, angústia, inquietamento, morbidez.
Um mundo onde você vaga entre o real e pequenas faíscas de insanidade, em piscar de olhos onde imagens confusas passam flutuantes entre o globo ocular e a pálpebra, quando estranhamente aquilo só está em seu cérebro!
Ele produz sensações involuntárias de defesa e cada pequeno ruído ao redor, se transforma em grande, enorme e instala um pronto sinal de alerta!
Aí o que já não desligava, acaba ligando mais e mais e mais...
Os ponteiros do relógio, que passaram todas as horas do dia invisíveis, agora parecem enormes, pesados, se arrastam num som incessante que a cada segundo faz tic, tic, tac, tac ou tic e depois tac... Tanto faz!
Agora 04:21 e eles não param de se mover, porém cada segundo parece demorar um minuto e cada minuto uma hora e cada hora, um dia e esse dia, é daqueles que parece que nunca vai acabar!
Uma frase, dois minutos!
Teriam meus olhos se fechado ou apenas minha mente se distraído?
Não adianta, agora não vai dar mais mesmo, interessante essa coisa de pensar..
Pensar faz a gente viajar, numa viagem tranquila, onde podemos ser e estar onde a gente quiser, por exemplo: agora estou do lado de uma pessoa muito especial, que por acaso está dormindo.
Eu vejo seu corpo, sua aura, ouço o som de sua respiração, mas não estou aqui, nem estou lá!
As coisas estão estranhas...
Parece que a qualquer momento alguém vai gritar "buuuuuuu" ou rir pra me dizer que é só primeiro de abril e que não é verdade, estou dormindo.
Será que estou?
Eu não me lembro das coisas, muitos acontecimentos tem se perdido de mim e apenas sei que foi real por testemunhos de pessoas.
Horas inteiras foram suprimidas, apagadas, deletadas, arrancadas da memória e não sei porque!
Ai essa dor de cabeça que anda incomodando. Deve ser de forçar para achar o que se perdeu e a vista não avista nada!
A TV do vizinho parece que está na minha sala, mas isso eu disse quando estava no quarto e agora que eu estou na sala a TV parece que está no vizinho.
Fato curioso esse...
Então... são 04:32 e perdi a conta de quanto tempo faz que eu mencionei o tempo e ele passou e nem sei se rápido ou devagar!
Divagar, adoro divagar, devagar num vagão... Ói, ói o trem, cuidado!
Aquela piadinha...
O maquinista de um trem a 60 Km por hora avista uma vaca a 5 metros de distância e buzina.
Calcule!
(Nessa hora você pergunta: - Calcule o que?)
O susto da vaca...
Me lembrei do meu pai, essa era das dele.
Oba... 04:35!
Vou deixar o blá, blá, blá e vou tomar o meu café da manhã!
Ai que fome, bom dia!!!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Adolescência

Não lembro o ano, mas era na adolescência.
Eu tinha uma agenda, que funcionava como um diário com recordações quase vivas: papelzinho de bala, bilhete de entrada pra show, palito de sorvete, bilhetinho de amigas e “amigos” eventualmente e todo tipo de material que fizesse parte do dia, fosse especial e coubesse na dita agenda.
As mais gordas eram as mais legas e… estava obviamente, NA MODA.
Eu sempre fui um pouco avessa as convencionalidades mundanas, mas vez ou outra deixava me seduzir pelo argumento funcionalidade e a tal agenda diário era útil.
Vá lá que a minha não era gorda, mas tinha, ao contrário das outras, conteúdo. Escrever sempre foi algo que me trouxe prazer, mesmo lembrando da professora que me ensinou a escrever brigando comigo porque “F” não era “FE”, mas convenhamos: era tão parecido, precisava brigar com o bebezinho de 7 anos?
Nessa agenda, que Deus a tenha, apesar que eu mesma gostaria de tê-la como tudo que se vai e a gente sente falta, tinha na capa, em letras garrafais escrito “I didn’t ask to be born” uma menção a música do Sepultura “Dead Embryonic Cells” e a frasezinha que eu lembro vez ou outra quer dizer: “Eu não pedi pra nascer” e não pedi mesmo! E se me perguntassem hoje numa dessas estações tipo “céu” onde a gente fica no gancho esperando pra nascer, eu provavelmente ainda não ia pedir pra vir pra essa tal de Terra.
Graças a internet, fiz uma pequena lição de casa que há tempos gostaria de fazer e pesquisei a música, que tem uma tradução muito verdadeira ainda nos dias de hoje.
O disco, que também foi lançado em CD é de 1991 “Arise”, excelente trabalho do Sepultura, vale a pena ouvir e pra quem quiser, dar uma olhada na tradução da minha música com a frase que me acompanha até hoje (20 anos após) http://letras.terra.com.br/sepultura/80392/traducao.html
Com essa lição de casa, consegui me localizar no tempo espaço, o ano era 1991 e eu estava no terceiro ano do odioso Magistério.
Foi nesse ano que eu fiz minha carteira de identidade que durou 19 anos e perdeu-se na véspera do natal de 2010 no trajeto entre o mercado e o Fórum, onde fui levar um processinho montado por um colega de trabalho pra tentar ganhar uma grana de um banco que me fazia 20 ligações por dia para me cobrar uma coisa que eu já havia pago, me acordando com a maior cara de pau antes das 8:00 da manhã, de segunda a segunda, acabando com o meu já não tão ótimo humor e destruindo meu sono embelezador.
Resultado, perdi a identidade literalmente e em todos os sentidos.
O RG foi hilário, porque eu tinha raspado o cabelo… é você leu direitinho “raspado o cabelo” e tava o demônio em pessoa.
A sorte que tenho fotos desse momento zen em que eu fiquei parecida com Buda e como diria uma pessoa que conheço muito - Agora só falta jogar moedinhas…
Ahh vai lá, vou deixar esse momento mico acontecer e postar a foto, afinal, quem nunca teve um surto psicótico e resolveu ficar careca no auge dos seus 120 kg???

Para o bem da humanidade meu cabelo cresceu e eu emagreci, tudo ao mesmo tempo, e valeu a pena, fiquei bemmmm melhor, mas isso já é um outro assunto né?
A vida se transformou muito nesses anos, ao invés de agenda gorda, hoje eu tenho blog, hotmail, facebook e até tumblr.
O importante é que continuo escrevendo, em partes é um monte de asneira, mas tem dias que sai coisa que preste lá do fundo do coração, como no Pseudo Neura o blog mais depressivo do mundo de uma neurótica (eu, caso tenha dúvida) que reflete sobre conflitos existênciais e transforma até parede em poesia…
Menina xonada, desiludida, triste, feliz, realizada, decepcionada, enfim HUMANA, como todo ser dito racional, sou humana do tipo “ser humano” que as vezes se esquece de SER e finge que não é um bichinho totalmente instintivo, mesmo sendo!
É baby, somos animais.
Veja seu cachorro ou gato e entenda: você não é melhor que ele, ele é melhor que você e sempre está com cara de feliz abanando o rabinho e te cobrindo de mimos (exclua-se aqui pitbulls, rottweilers e outros cães anti-sociais de qualquer raça, credo ou cor).
Aprendi que na vida nada é regra, tudo é excessão.
Mas é divertido viver quando você sabe olhar pra trás e rir dos tombos que você caiu, sem lembrar da dor que você sentiu!
E o bom mesmo é caminhar olhando pra frente, sem se preocupar muito com o que ficou. Se você caminhar olhando sempre para trás, vai fatalmente tropeçar em algo que não está vendo, e vai cair e vai se machucar e vai ficar parado pela beira do caminho enquanto o mundo inteiro avança e só você fica ali parado, tentando se curar por não ter tido a simples precaução de se certificar que estava vivendo o presente, pra poder pegar um bônus no futuro…
Ficou lá, olhando pra passado, que passou e não volta jamais (feliz ou infelizmente)!!!

domingo, 19 de fevereiro de 2012

A Morte!

Bom dia!
Ontem eu cruzei com a morte, ela olhou para mim e me desafiou em tom de absoluta ironia e intimidação.
Senti uma repulsa imediata, uma raiva e uma vontade instantânea de desafiá-la.
Reparei que ela levava consigo uma bolsa e então simplesmente me calei, pois não sabia que armas ela tinha ali dentro.
Eu estava simplesmente sentada, no meu percurso habitual de final de trabalho, me dirigindo para casa.
Não tinha nenhuma preocupação a não ser a de chegar ao meu destino.
Minha cabeça não estava pensando em nada, estava tranquila e até feliz.
Então ela chegou ali, sentou quase ao meu lado, só que no banco de trás.
Senti um cheiro estranho e olhei para ela!
Vi um rosto quase desfigurado e muito hostil.
Olhei mais fixamente, pois aquilo foi no mínimo curioso.
Foi quando ela se irritou!
Acho que as pessoas não encaram a morte de frente normalmente, e eu o fiz!
Ela olhou com ira e me disse: - O que que você ta olhando?
Desviei o olhar, senti um frio percorrer minha alma.
Pensei comigo mesma: "Quem ela pensa que é pra falar assim?"
Olhei novamente... Com um olhar de ironia acrescido de deboche e provocação
E ela: - Que que foi moça?
Foi nesse momento que olhei a bolsa...
Ainda pensei por alguns instantes em responder algo, mas fiquei com medo que ela pudesse usar alguma coisa daquela "bolsa".
Uma arma, seu cajado, o que quer que fosse, eu sairia perdendo.
De repente, um moço vai e senta ao lado dela!
Eu fiquei surpresa, jamais me sentaria ao lado da morte. Afinal, no meu caso, foi ela que sentou próxima a mim.
O rapaz ficou exatos 20 segundos, muito inquieto, até que levantou e foi para o outro extremo, bem longe e sentou-se!
Não devia ser a hora dele!
Mas e a minha?
Fiquei ansiosa, esperando o golpe.
Olhei milhares de vezes de canto de olho.
Que figura amedrontadora, uma pele que parecia um misto de podridão, decomposição, olhos de ira, desprezo, raiva e ausência de sentimentos.
Cabelos ensebados, um suor oleoso na face...
Não me senti intimidada. Muito pelo contrário, senti curiosidade, vontade de desafio!
Mas simplesmente me calei...
Foi isso que a dcepcionou!
Não fiz nada, apenas a aceitei e fiquei esperando o momento.
Mas ela deve me conhecer bem e saber que eu sou um inimigo difícil e a altura.
Para ela, senhora de todas as vidas ceifadas, não teria graça levar alguém como eu, sem ao menos lutar.
Quando eu prendi a atenção em alguma outra coisa, ela entendeu que eu não estava sequer preocupada com ela.
Deu o sinal, levantou... ainda me olhou mais uma vez e desembarcou!
Aí estando ela um pouco mais longe, encarei desafiadora aquele rosto sombrio e esperei ainda que ela falasse algo!
Ia ser agora... Só podia ser!!!
Pegou uma coisa na bolsa, levou à boca e bebeu algo, uma bebida que deveria se chamar derrota!
E eu venci a morte numa batalha silenciosa, continuei no meu caminho e cheguei em casa mais um dia sã e salva para viver ainda mais intensamente, com mais vontade, nem que seja para provocar a Dona Morte e provar para ela, que só vai me vencer quando eu estiver pronta para ir e com certeza, não é agora!!!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

16 fevereiro 2012

Interpretação...
As pessoas tem uma estranha tendência a interpretar as coisas de acordo com seus sentimentos, sem nenhuma consideração à realidade, como se o mundo girasse em torno desses sentimentos individuais de cada um.
O que eu digo, é o que eu sinto, mas o que você ouve, é o que você entende, de acordo com o momento em que está vivendo.
Confuso, vago, mas real.
Se eu digo que você hoje está linda, você deveria pensar: ela acha que eu estou linda!
Seria simples e correto. Ponto!
Porém o ser humano confunde as coisas a tal ponto que às vezes fica difícil separar a realidade da fantasia que construímos de acordo com o nosso momento.
Aí entra a interpretação...
As pessoas vão além do que simplesmente foi dito e transformam a realidade, deformam a informação, de acordo com as suas expectativas, suas vontades, seus desejos, suas frustrações, seus medos e uma enorme e complexa lista de sentimentos que variam de acordo com o estado de espírito, que é mutável a todo o momento.
Aí aquela simples frase "Você está linda"! Passa a ter milhares de significações, exceto, claro, a real... a de que você realmente está linda!
Tem gente que vai aceitar isso como um deboche, como um puxa-saquismo, como uma forma de pedir algo, como inveja, como mentira, como se você quisesse ser ela, como uma cantada e como outras formas de deformação de algo que seria tão simples: Um elogio despretensioso! Uma afirmativa de que realmente você está bonita.
É só um exemplo da capacidade de interpretar algo, da maneira que filtramos a informação e devolvemos a nós mesmos, com um fantasiamento enorme de algo óbvio, tão óbvio que nos faz criar outra alternativa que justifique a frase!
Eu gosto de escrever... Para mim é simples encher uma linha, uma folha, um caderno. É uma forma de esvaziamento de muitas coisas que circulam na minha muito fértil mente.
Eu uso a minha imaginação para criar muitas coisas.
Eu fantasio coisas negativamente também, mas tem gente que exagera.
Tem gente que devolve as coisas, vomitadas e misturadas a um veneno letal para alma.
O que escrevo não é direcionado a ninguém especial, mas alguém sempre acha que eu estou falando claramente para essa ou aquela pessoa.
Perdão, lamento decepcionar egos tão voltados para si mesmos.
Hoje eu tenho cuidado de mim, do meu eu, da minha auto-estima, da minha vida dos meus sonhos, das minhas lutas.
Para mim, cada simples dia é uma batalha a ser vencida e desejo para cada desses dias, uma vitória limpa, linda e merecida.
Não me prendo em deixar recados para ninguém, pois cada um vive à sua maneira e aprende com suas experiências.
O que eu vivo, não é o que você vive.
Somos pessoas distintas, cada um com suas peculiaridades...
Portanto, saiba você e você e você, que escrevo por prazer, coisas que penso, que sinto e que gosto.
E isto é apenas sobre mim, sobre a perspectiva que eu vejo o mundo.
Ninguém precisa acreditar, concordar ou sequer ler.
Mas por favor, não torne pessoal para você as coisas que eu digo.
Tudo o que escrevo, penso e compartilho nos lugares que escrevo, são pessoais sim... "minhas idéias pessoais" e quero apenas respeito às minhas opiniões.
Deixe elas longe de seu mundo, não misture às suas coisas e as coisas que são minhas, porque quando eu quiser dizer algo para alguém que mereça ser mencionado, essa pessoa será a primeira a saber.
Não mando indiretas, falo de frente o que tiver que ser dito, se e quando isso for necessário.
Se eu jogo, meu jogo é limpo!
Boa Noite!!!