Bom dia!
Ontem eu cruzei com a morte, ela olhou para mim e me desafiou em tom de absoluta ironia e intimidação.
Senti uma repulsa imediata, uma raiva e uma vontade instantânea de desafiá-la.
Reparei que ela levava consigo uma bolsa e então simplesmente me calei, pois não sabia que armas ela tinha ali dentro.
Eu estava simplesmente sentada, no meu percurso habitual de final de trabalho, me dirigindo para casa.
Não tinha nenhuma preocupação a não ser a de chegar ao meu destino.
Minha cabeça não estava pensando em nada, estava tranquila e até feliz.
Então ela chegou ali, sentou quase ao meu lado, só que no banco de trás.
Senti um cheiro estranho e olhei para ela!
Vi um rosto quase desfigurado e muito hostil.
Olhei mais fixamente, pois aquilo foi no mínimo curioso.
Foi quando ela se irritou!
Acho que as pessoas não encaram a morte de frente normalmente, e eu o fiz!
Ela olhou com ira e me disse: - O que que você ta olhando?
Desviei o olhar, senti um frio percorrer minha alma.
Pensei comigo mesma: "Quem ela pensa que é pra falar assim?"
Olhei novamente... Com um olhar de ironia acrescido de deboche e provocação
E ela: - Que que foi moça?
Foi nesse momento que olhei a bolsa...
Ainda pensei por alguns instantes em responder algo, mas fiquei com medo que ela pudesse usar alguma coisa daquela "bolsa".
Uma arma, seu cajado, o que quer que fosse, eu sairia perdendo.
De repente, um moço vai e senta ao lado dela!
Eu fiquei surpresa, jamais me sentaria ao lado da morte. Afinal, no meu caso, foi ela que sentou próxima a mim.
O rapaz ficou exatos 20 segundos, muito inquieto, até que levantou e foi para o outro extremo, bem longe e sentou-se!
Não devia ser a hora dele!
Mas e a minha?
Fiquei ansiosa, esperando o golpe.
Olhei milhares de vezes de canto de olho.
Que figura amedrontadora, uma pele que parecia um misto de podridão, decomposição, olhos de ira, desprezo, raiva e ausência de sentimentos.
Cabelos ensebados, um suor oleoso na face...
Não me senti intimidada. Muito pelo contrário, senti curiosidade, vontade de desafio!
Mas simplesmente me calei...
Foi isso que a dcepcionou!
Não fiz nada, apenas a aceitei e fiquei esperando o momento.
Mas ela deve me conhecer bem e saber que eu sou um inimigo difícil e a altura.
Para ela, senhora de todas as vidas ceifadas, não teria graça levar alguém como eu, sem ao menos lutar.
Quando eu prendi a atenção em alguma outra coisa, ela entendeu que eu não estava sequer preocupada com ela.
Deu o sinal, levantou... ainda me olhou mais uma vez e desembarcou!
Aí estando ela um pouco mais longe, encarei desafiadora aquele rosto sombrio e esperei ainda que ela falasse algo!
Ia ser agora... Só podia ser!!!
Pegou uma coisa na bolsa, levou à boca e bebeu algo, uma bebida que deveria se chamar derrota!
E eu venci a morte numa batalha silenciosa, continuei no meu caminho e cheguei em casa mais um dia sã e salva para viver ainda mais intensamente, com mais vontade, nem que seja para provocar a Dona Morte e provar para ela, que só vai me vencer quando eu estiver pronta para ir e com certeza, não é agora!!!
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