segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Adolescência

Não lembro o ano, mas era na adolescência.
Eu tinha uma agenda, que funcionava como um diário com recordações quase vivas: papelzinho de bala, bilhete de entrada pra show, palito de sorvete, bilhetinho de amigas e “amigos” eventualmente e todo tipo de material que fizesse parte do dia, fosse especial e coubesse na dita agenda.
As mais gordas eram as mais legas e… estava obviamente, NA MODA.
Eu sempre fui um pouco avessa as convencionalidades mundanas, mas vez ou outra deixava me seduzir pelo argumento funcionalidade e a tal agenda diário era útil.
Vá lá que a minha não era gorda, mas tinha, ao contrário das outras, conteúdo. Escrever sempre foi algo que me trouxe prazer, mesmo lembrando da professora que me ensinou a escrever brigando comigo porque “F” não era “FE”, mas convenhamos: era tão parecido, precisava brigar com o bebezinho de 7 anos?
Nessa agenda, que Deus a tenha, apesar que eu mesma gostaria de tê-la como tudo que se vai e a gente sente falta, tinha na capa, em letras garrafais escrito “I didn’t ask to be born” uma menção a música do Sepultura “Dead Embryonic Cells” e a frasezinha que eu lembro vez ou outra quer dizer: “Eu não pedi pra nascer” e não pedi mesmo! E se me perguntassem hoje numa dessas estações tipo “céu” onde a gente fica no gancho esperando pra nascer, eu provavelmente ainda não ia pedir pra vir pra essa tal de Terra.
Graças a internet, fiz uma pequena lição de casa que há tempos gostaria de fazer e pesquisei a música, que tem uma tradução muito verdadeira ainda nos dias de hoje.
O disco, que também foi lançado em CD é de 1991 “Arise”, excelente trabalho do Sepultura, vale a pena ouvir e pra quem quiser, dar uma olhada na tradução da minha música com a frase que me acompanha até hoje (20 anos após) http://letras.terra.com.br/sepultura/80392/traducao.html
Com essa lição de casa, consegui me localizar no tempo espaço, o ano era 1991 e eu estava no terceiro ano do odioso Magistério.
Foi nesse ano que eu fiz minha carteira de identidade que durou 19 anos e perdeu-se na véspera do natal de 2010 no trajeto entre o mercado e o Fórum, onde fui levar um processinho montado por um colega de trabalho pra tentar ganhar uma grana de um banco que me fazia 20 ligações por dia para me cobrar uma coisa que eu já havia pago, me acordando com a maior cara de pau antes das 8:00 da manhã, de segunda a segunda, acabando com o meu já não tão ótimo humor e destruindo meu sono embelezador.
Resultado, perdi a identidade literalmente e em todos os sentidos.
O RG foi hilário, porque eu tinha raspado o cabelo… é você leu direitinho “raspado o cabelo” e tava o demônio em pessoa.
A sorte que tenho fotos desse momento zen em que eu fiquei parecida com Buda e como diria uma pessoa que conheço muito - Agora só falta jogar moedinhas…
Ahh vai lá, vou deixar esse momento mico acontecer e postar a foto, afinal, quem nunca teve um surto psicótico e resolveu ficar careca no auge dos seus 120 kg???

Para o bem da humanidade meu cabelo cresceu e eu emagreci, tudo ao mesmo tempo, e valeu a pena, fiquei bemmmm melhor, mas isso já é um outro assunto né?
A vida se transformou muito nesses anos, ao invés de agenda gorda, hoje eu tenho blog, hotmail, facebook e até tumblr.
O importante é que continuo escrevendo, em partes é um monte de asneira, mas tem dias que sai coisa que preste lá do fundo do coração, como no Pseudo Neura o blog mais depressivo do mundo de uma neurótica (eu, caso tenha dúvida) que reflete sobre conflitos existênciais e transforma até parede em poesia…
Menina xonada, desiludida, triste, feliz, realizada, decepcionada, enfim HUMANA, como todo ser dito racional, sou humana do tipo “ser humano” que as vezes se esquece de SER e finge que não é um bichinho totalmente instintivo, mesmo sendo!
É baby, somos animais.
Veja seu cachorro ou gato e entenda: você não é melhor que ele, ele é melhor que você e sempre está com cara de feliz abanando o rabinho e te cobrindo de mimos (exclua-se aqui pitbulls, rottweilers e outros cães anti-sociais de qualquer raça, credo ou cor).
Aprendi que na vida nada é regra, tudo é excessão.
Mas é divertido viver quando você sabe olhar pra trás e rir dos tombos que você caiu, sem lembrar da dor que você sentiu!
E o bom mesmo é caminhar olhando pra frente, sem se preocupar muito com o que ficou. Se você caminhar olhando sempre para trás, vai fatalmente tropeçar em algo que não está vendo, e vai cair e vai se machucar e vai ficar parado pela beira do caminho enquanto o mundo inteiro avança e só você fica ali parado, tentando se curar por não ter tido a simples precaução de se certificar que estava vivendo o presente, pra poder pegar um bônus no futuro…
Ficou lá, olhando pra passado, que passou e não volta jamais (feliz ou infelizmente)!!!

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