sexta-feira, 18 de maio de 2012

Amiga...

Eu tinha uma crença, mas às vezes ela vai se despedaçando, perdendo a forma, a razão, se amiudando, que acho por vezes que vai acabar sumindo de tanto que já desapareceu de mim.Acreditava na ação e reação, de vidas, outras vidas antes dessa, de somas de carmas, pecados, erros, maldades.
Achava que tudo era uma questão de dívidas ou bônus, que tudo isso era necessário para nossa melhora como pessoas, como espíritos, que era tudo uma questaão de evolução ou (des)evolução.
Justificava todos os fardos nessa crença, as coisas realmente faziam sentido e a morte era algo tão natural, que nunca chegou a me incomodar demais.
Pouco chorei pelas pessoas que se foram, pois, acreditava que elas estavam aqui próximas a nós, separadas apenas por uma cortina que lhes tornava invisível.
E era tão bom acreditar, ter o conforto de saber que bastava fazer o bem para ser um pouco mais feliz, mesmo sabendo que a felicidade não era deste mundo, e que aqui só havia expiação, sofrimentos, provas e que para caminhar por esse vale chamado vida, bastava você ter paciência, caridade e ser capaz de perdoar.
Agora eu vejo as coisas por ângulos diferentes, mesmo sabendo que cada um tem uma carga a carregar, as coisas não me parecem mais injustas do que eram antes.
Vejo pessoas maravilhosas partindo, vejo um mundo ficando cada dia mais feio, pessoas fazendo o mal a toda hora e não me identifico nessa miscelânia de desajustes que o mundo se tornou.
Sou a própria imperfeição, tenho plena consciência disso, mas não me vejo fazendo mal algum para as pessoas. Claro que já fiz muitas coisas erradas, estou longe de ser santa, mas não estou sofrendo... por nada que possa ter feito de pior nessa vida.
O que tem me feito mergulhar em profundos questionamentos, é ver pessoas tão inocentes, com fardos tão pesados para carregar.
Acreditava que elas traziam suas dívidas de outras vidas, mas como sofrem tanto se nessa vida só fizeram o bem?
Eu sei que existem muitas respostas, baseadas na minha crença. Uma das que melhor se encaixa é o fato da família sofrer por aquela pessoa, um teste de tolerância, paciência, amor... pessoas que vieram apenas para serem amadas, unirem lares, darem força, colocarem luz e esperança no caminho dos descrentes.
Mas mesmo assim, penso e não paro de pensar: Sacrifica-se uma vida, tortura-se uma criança, uma família inteira é levada a exaustão, acodem-se na fé, acreditam na cura, que coisa...
Essa cura eu também quero, uma cura milagrosa, que não deixe sequelas, uma vitória gloriosa!
Mas temo muito que ela não aconteça e então, essas pessoas que estão sendo expostas a uma prova tão cruel, se tornarão melhores? O que elas aprenderão além da dor?
Temo que essas pessoas se afastem de Deus, que desacreditem em todas as suas convicções, pois creio que não haveria justiça em uma luta tão dolorosa, que culmine em derrota para todos os lados.
Eu quero acreditar que possa existir algum bem em toda essa circunstância, mas está difícil, isso porque tudo está se passando longe de mim...
Minha amiga querida, já conversei um milhão de vezes com você e nunca acho uma palavra sequer que consiga fazer você se sentir melhor, menos impotente e menos decepcionada com a vida.
Tento dar algum tipo de consolo nessa situação em que vocês estão envolvidos, não quero eu também perder a fé, mas confesso, já estou achando difícil e estou quase concordando com as suas palavras...
Você me disse que não dava para acreditar que exista um ser onipotente, onisciente que deixasse uma criança inocente sofrer a esse ponto... e eu te disse que para tudo existia uma razão.
Me lembro que você respondeu que não tinha razão e era completamente injusto.
Verdade, hoje eu concordo muito com essa injustiça, mas prefiro me apegar no pouco que resta de minha fé e acreditar que nenhuma vida foi colocada nesse mundo em vão e que as coisas tem sim uma razão, que tudo o que passamos aqui é para tocar no coração de alguém e hoje, mesmo com quase nada de fé eu vejo a Thaís dando um imenso exemplo de vida nessa luta diária que ela está travando, penso que tudo isso não é a toa!!!
Não pode ser, não deve ser... em mim ela toca muito forte e há dias que eu penso nela sem parar, uma coisa que grudou na minha mente, já escrevi sobre ela em posts anteriores, pois graças a ela, tenho visto muito mais sentido na vida!
Tenho uma enorme vergonha de ter fraquejado tantas vezes, em ter pensado em desistir por coisas tão pequenas, por problemas que eu mesma criei, pela minha covardia, enquanto ela briga com um monstro gigante todos os dias, sem armas, apenas com a coragem e a vontade de viver que o tal Deus deu de presente a ela.
Assim como ela toca no meu coração, eu que estou aqui longe, imagine quanto de bem que ela faz para quem a conhece, quem sabe das batalhas dela?
Não amiga, não é em vão, ainda que seja muito injusto, tem sim uma grande razão para tudo isso.
Parece egoísmo, mas sim, o mundo é egoísta, ninguém quer perder jamais, não adimitimos perder nada nem ninguém, mas estamos num mundo de muitas perdas, só o que não podemos perder é a vontade de lutar, de viver e nisso, sua irmã está sendo exemplo.
Pense nisso, amo muito você, sei do seu grande medo e acredito que infelizmente seus temores estão certos.
Saiba que estou aqui, que posso também estar aí no momento que precisar, mas saiba dar adeus e guardar nesse seu coração tudo de melhor que ela te deu...
Sem revoltas, sem raivas, sem mágoas, deixa apenas a tristeza da saudade, o lamento por não poder mudar as coisas, mas tenha certeza: tudo isso não foi, não é e nem será em vão!

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Vício

Coisas sem explicação geralmente são aquelas que se sobrepõem à razão, não tem quantia líquida nem certa de valores agregados para se medir, pesar, contabilizar... são permissividades do ser sem se esclarecer, apenas permanecer na ignorância do não saber consciente.Mas justifico-me nos meus destemperos com desígnios de palavras simples e arrebatadoras que poderiam dar forma e razão para essas sentimentalidades que me acomentem.
Não seria doença, praga, moléstia, defeito, efeito e sim dependência física, mental, fisiológica, psicológica, cardiológica.
Meu mal deveria ser meu bem, mas é meu vício o senhor do meu corpo, proprietário da minha razão, comandante da minha emoção, motorista da minha direção.
Sou viciada no amor, na dor, no dissabor...
Não sei viver sem quem, estou sempre dependendo de alguém, uma pessoa só que faz de mim tão só como se minha garganta estivesse pendurada por um nó, pronta para cair, escorregando, empurrada, lutando para subir, subir, sem degrau, apenas sentindo um mal, querendo água e bebendo sal...
Que mundo surreal, coisas tão simples explodem em uma discussão banal, não gosto disso, não quero isso.
Por favor, traz de volta para mim a liberdade de expressão, palavras verdadeiras, com emoção, olho no olho, cabeça, corpo e coração, não me ilude, gosto ainda da razão.
Lua, nuvem, estrela, vento, frio, congelamento, empedra meu coração aqui dentro.
Onde estão todos? Onde foram os que amo?
Fiquei apenas com meus enganos...
Constrói, destrói, tudo machuca, tudo dói... não tem que ser assim.
Juramos ser melhores, mas encenamos nossos papéis, continuando a ser os piores...
Não quero assim, quero assado, não me de frito, quero cozido, não adianta refogado.
Eu mudei, de cidade, de casa, de corpo, de dente, de roupa, de cabelo, de voz, de alma e mesmo assim, parecendo estar melhor, estou interiormente pior.
O mal me faz bem, e faço bem o mal, mas não quero fazer, nem para mim e nem para você...
Quero ser feliz, abro mão da felicidade por você, quero fazer o bem, mas o mal às vezes me convém...
Hoje estou ótima para escrever coisas absurdamente sem sentido, só palavras vão se esvaindo e respiro profundo, desculpe-me vida, não sou perfeita, mas enfim, esse é meu mundo.
Hoje eu não sou de mim mesma, não pertenço a nada, nem a mim, não estou em lugares listados em mapas, não estou no certo e nem no errado, mas quero estar junto e toda a hora, somente no colo calado do seu corpo, ou pelo menos ao seu lado.
O problema não seria você, o problema seria apenas eu... vicio maldito
Preciso-te, injeta-me essa dose remanescente de me fazer feliz, vou cheirar esse pó da sua luxúria em mim e fumar esse cigarro do seu beijo, enquanto uso comprimidos sublinguais de suas mãos no meu corpo e bebo desse chá das migalhas do seu amor... Preciso-te!

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Feliz Aniversário!!!

Hoje eu deveria estar muito feliz...Minha saúde vai bem, estou no meu auge físico, estou bonita, financeiramente bem, uma casa linda, uma filha mais do que maravilhosa, um amor que preenche todo o meu coração...
Mas, então? Falta o que?
Deveria comemorar, por qualquer um dos milhares motivos que tenho, por todas as coisas boas que conquistei, pela vida, enfim...
Pois ao contrário do que deveria ter naturalmente acontecido, fui tomada de uma dor profunda, um silêncio avassalador, uma tristeza aterrorizante e um desânimo sem limites.
Imaginei que poderia fazer uma festa, chamar os amigos... Ia ser tão divertido!!!
Pensei nos detalhes, no cardápio, nas bebidas, na música, na roupa que vestiria... e então comecei a pensar nas pessoas que eu amo e que gostaria que estivessem comigo!
Aí foi a queda no abismo, um choro compulsivo, uma taquicardia, um desolamento sem fim e então, tive aquela imensa vontade de sumir, aquela que já me acometeu outras vezes na minha vida.
Ninguém, ninguém vai estar comigo!
Não existe lista, não existe amigos, os que eu tenho estão longe, fisicamente, emocionalmente, financeiramente, propositadamente...
Me vi tão sozinha, minha solidão foi tão imensa, que me pergunto o que tenho feito dessa minha vida para estar assim, sem nada, sem ninguém!
E tem gente que me diz que a vida é boa! Que vida? Não tenho vida, tenho uma sobrevida que me faz sobreviver apenas para o trabalho e para casa... não socializo mais, não tenho lazer, não tenho prazer!
E o que me conserva aqui senão apenas a obrigação?
Sou obrigada a viver até morrer, para evitar o inferno, porque ninguém pode ir de véspera!
Que teatro de horrores, que palco zombateiro em que somos obrigados a contracenar todos os dias, fingindo um sorriso feliz, vida perfeita, status, dinheiro e eternos blá, blá, blás!
38 anos de agonias, dos quais pelo menos 20 eu me arrependo de ter vivido, 20 que eu quis fugir e a vida caprichosamente teimou em me punir.
E eu quis morrer tantas vezes, mas não me lembro de muitas vezes em que quis viver.
Eu vejo um egoísmo tão grande em mim, nesse desejo de morrer, que teima em me acompanhar!
Penso nas pessoas que estão brigando para sobreviver a doenças terríveis, adultos, crianças, idosos, tanto sofrimento e eles ainda insistem em lutar e querem viver, enquanto eu, gostaria sinceramente de trocar de lugar com eles...
A vida está tão doce, mas meu coração dói tanto, que minha alma pisoteia em cacos de vidro em todo o trajeto...
Não cometi os piores crimes, não fiz o mal a quase nada e nem a ninguém, a única pobre vítima de mim, sou eu mesma!
Me suporto a cada dia para aprender a coexistir em mim, mas meu corpo e minha alma, meu espírito, não se suportam, não se entendem e brigam a todo o instante para se sobressaírem um ao outro... e um dos dois sempre está em grande agonia, enquanto o outro celebra pequenas vitórias enquanto não travam a próxima luta.
E eu choro... choro... não consigo entender nada dessas coisas, não consigo medir os defeitos dessa existência e nem ao menos amenizar os erros!
Estou cega... mas gostaria de enxergar, nem que se fosse apenas tateando, o que é que estou fazendo errado para poder ao menos, tentar consertar, remendar, melhorar um pouco que fosse as coisas que não estão saindo como deveriam...
Não fosse o terrível fato de conviver comigo mesma todos os dias, ainda tem uma pessoa especial, que me presenteia com injustiças, em troca de todo o amor que sinto por ele...
É assim, somos às avessas, trate-me com amor e tolerância, que te devolvo indiferença e ignorância!
Essa é a lei de equilíbrio: para o bem existir, tem que haver o mal, para a felicidade existir, precisamos da tristeza... mas alguém então deve estar muito feliz por aí, porque eu não estou...
O mundo é muito injusto, todos devíamos ter os mesmos direitos, a felicidade deveria ter acessabilidade, com rampas, elevadores, guias rebaixadas, bancos preferenciais...
Não sei mais o que estou fazendo, devo ser uma pessoa muito má, muito cruel, amarga, e apenas estou pagando meus pecados, que com certeza não arrebanhei nessa vida!
Hoje passei tão mal, tive hipotermia outra vez, achei que ia convulsionar... pensei até por uns momentos que iria morrer... mas era véspera!
Ninguém vai de véspera e o meu aniverário iria ser apenas após a meia-noite... perdi meu melhor presente!!!
Feliz aniversário, hoje já é 11 de maio, desejamos a você muitos blá, blá, blás automáticos, muitos enters, sms e abraços digitados, felicidades digitais... enquanto eu apenas queria pessoas reais!!!
Mas, mesmo assim, obrigada a você que leu, eu te amo!!!

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Desabafo...

Ultimamente, o que me faz suportar as turbulências, é saber que elas são passageiras.
É tanta coisa, o peso é tão grande, que seria mais fácil tirar o corpo fora, como se fosse possível despir-se dele e ficar só com a alma e a calma.
Gosto do desabafo, escrever esvazia de mim, coisas ruins que vem tumultuar meus pensamentos, por isso despejo os restos com as palavras eufóricas de quem tem todos os dias, milhões de coisas para contar.
Todo o dia é uma aventura nova, como num jogo de vídeo game, que a cada fase, aumenta o nível de dificuldade... e você vai passando por todas elas. Tem sempre aquelas fases que a gente impaca, fica, revira, remexe, revolta e não sossega enquanto não consegue seguir adiante.
Ultimamente estou assim, não desisto mais tão facilmente das coisas que estão ali adiante, porque tenho certeza que o melhor está sempre por vir.
O melhor não precisa ser necessariamente o novo, afinal, estamos no mesmo jogo, o que inova as dificuldades, são os obstáculos, que se tornam cada vez mais densos, mais sombrios, mais complicados, mais tristes, machucam mais, mas sério... depois que você passa assim por tanta coisa, você tem a noção da sua força e de tudo o que você é capaz e começa a achar que realmente aquilo ali não era difícil não.
E passou, tudo passa!
São estágios, ciclos, níveis, etapas ou qualquer coisa assim.
Embora hoje eu esteja me achando um pouco incapaz de dar conta dessa fase, sei que é só uma fase... fase hard, muitas coisas juntas, mas já aconteceram coisas assim ou piores antes.
Grana, maldita e abençoada, que a gente tem que dar cria pra levar uma vida legal, poder se socializar, se inserir no capitalismo aprisionador de almas pobres e ricas e consumistas, etc... Ganhar o pão, pois quem vive come e quem não come passa fome e eu já passei da fase de curtir passar fome!
A saúde, essa as vezes nos dá altas rasteiras, inclusive hoje, vou aproveitar e fazer pelos outros o que fizeram por mim... vou ali em qualquer lugar doar meu sangue, ja que agora faz um ano que eu precisei de sangue anônimo para sobreviver.
Hoje estou bem e posso fazer por alguém esse ato tão simples e que é capaz de me deixar tão feliz... espero que eu consiga! Acho que vai dar certo, parece que realmente estou bem.
Minha mais amada pessoa desse mundo, está batendo asas, cresceu e está começando a romper os laços umbilicais tão fortes que nos uniram por quase 17 anos...
Em julho, vestibular e mudança para outra cidade, morar com o pai, estou hoje praticando o desapego, dela e por ela.
O meu coração é o gerador de energia da minha alma, ele produz uma onda de amor tão intensa, que posso amar, mesmo com todos os motivos do mundo para ter tudo contrário a esse sentimento, incluindo raiva e ódio.
Mas não, eu só tenho um desapontamento de ver tamanha diferença entre valores do lado de cá e do lado de lá.
Eu não posso nada, ele pode tudo e as vontades dele são superiores a tudo e a todos, aí você fica com o mérito de aceitar e se sujeitar ou ignorar e partir para outra.
Que eu faço? Ignoro, sempre... mesmo sabendo que posso entrar numa fria, numa gelada.
Porém agora, tudo o que eu faço é à distância, chega daquela vigília incessante de todos os dias, aquilo não me faz mais sentido e nem tem necessidade.
O que os olhos não vêem o coração não sente, o que me fere é o que imagina minha mente.
Enfim, eu fico sempre na dúvida... nunca sei o que realmente é verdade.
Crio histórias inteiras na cabeça, com início, meio e fim e não sei que versão está correta, minhas inventividades ou as palavras que a pessoa me diz como sendo verdades.
Enfim, hoje estou realmente triste, mas não desanimada, amanhã tem mais e não vale a pena se frustrar ainda porque o jogo não terminou e nem vai terminar.
Eu jogo pra ganhar, não importa o tempo que leve!
E não importa o quanto seja difícil, não admito derrotas minhas, mas as alheias, são permitidas para aqueles que não tem a coragem de lutar e persistir e persistir e persistir!
Inferno astral terminando em 5, 4, 3, 2, 1...
11 de maio, vem ne mim!!!

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Saco Vazio!

E no fim eu tentei guardar o melhor de mim em você
Tentei fazer você melhor achando que sendo dois seríamos mais
Mais unidos, mais fortes, mais felizes
E nada no mundo separaria nossas coisas já tão misturadas
Ninguém saberia se aquele riso era meu ou seu
Se aquele vocabulário era de palavras suas ou minhas
Tanto era o mesclado de viver
Identidades se tornaram idênticas
Pessoas afins, afinidades, combinações
Convivência, conveniência...
Compartilhamentos de sonhos comuns
Verdades inexistentes
Palavras incoerentes
Absoluto nada...
Mentiras, falsidades
Errei eu, errou você
Nada de acerto em nossa imperfeição
Mágoas milhões, tristezas pelo chão
Promessas curtas voando ao vento
Cansei, desisti
O melhor de mim não pode se perder outra vez
Já morri milhares de vezes em você
Por favor, não me mate mais uma vez
Eu mereço viver por mim e para mim,
Chega um pouco de você,
Se você já não se contenta em mim
Se eu já não sou, não era ou não fui
O amor que deveria ter sido para você
Não fui suficiente para ti
Reinventei uma pessoa em mim para tentar te compensar
Nada, nada
Nada adiantou, nem mesmo eu ser o melhor do melhor
Nada te bastou, nada te basta
Te enchi com meu melhor, tentei te preencher
Mas onde depositei tantas coisas
Escaparam todas elas por um furo
E você continuou vazando, vazio.
Um vazio insustentável
Onde não se consegue parar em pé
E eu que achava que caia sempre ao chão,
Hoje percebo que o chão é só seu
E que eu me vejo somente em glórias
Envolta em luz, no meu intenso brilho natural
Sou eu, a melhor de todas
A mais capaz até do incapaz!
Enquanto eu vejo em você apenas derrotas
Que levam tudo ao ralo
E não quero mais fazer parte disso
Por que teu mal é o meu mal
E não é justo você sugar de mim tudo o que tenho
Portanto vou me afastar, já me afastei
Estou longe hoje de verdade
Física, emocional e racionalmente longe
E era assim que você gostava de mim,
Eu aqui e você aí
E então abri os olhos e percebi,
Que na verdade na distância de tudo o que eu sentia
Eu deixei de existir, seu amor não era um fato
E sim uma rédea que segurava sua opção
Para que não ficasse só
E sempre pudesse correr para algum lugar quando todos te deixassem.
E eles já te deixaram, você não tem mais nada
A não ser seu egoísmo perfeito
Que te fez acreditar cegamente que suas necessidades sempre se sobressaem
E qua nada mais no mundo importa a não ser você mesmo
Boa sorte para você, com você e só você, ou você "só"
Se baste e viva no seu isolamento feliz!
Te amei quando éramos dois, mas agora um de nós morreu...
E não há mais nada a se fazer, nem mesmo uma despedida
Melhor ignorar, não saber e simplesmente,
Continuar a viver!

sábado, 7 de abril de 2012

Vida de megasena...

Eu deveria seguir mais minhas intuições, meu sexto sentido e acreditar menos na minhas expectativas.
Parece meio duro, você não se permitir esperar que as coisas aconteçam como você quer que elas aconteçam. Mas as intuições sempre estão corretas e vão além das expectativas.
O fato de você desejar muito uma coisa, acaba se sobrepondo à razão e você passa a habitar uma onda otimista e acredita que as coisas que você planeja, deseja e quer vão simplesmente se cumprir e se transformar em realidade.
E quem me dera, te dera e a todos dera, que isso fosse verdade.
Aquele lance de sonhar é permitido, mas é tão arriscado que te eleva a um céu que você cria e de lá você desaba.
Quantas quedas sofremos e sofremos e sofremos.
Como seria bom ter "o dia do vai dar certo"...
Acho que eu sou meio azarada, porque planejo coisas tão simples, como passar um dia feliz com quem devia me fazer feliz e isso não tem nada de complicado, porém acaba também não dando certo.
Vá lá, se fosse algo mais sofisticado, ambicioso, como ganhar na megasena, eu até entenderia, pela porcentagem quase absurda de probabilidades disso acontecer... Mas na minha vida às vezes, um dia de felicidade parece tão difícil de se ganhar, como uma megasena.
Você faz planos tão simples de somente estar ali, do lado daquela pessoa especial e vai lá, está lá fisicamente e a outra pessoa não...
As pessoas acabam se transportando para o centro do universo deles, mesmo sabendo que você está ali só por ela.
E mesmo naquela presença física, a pessoa se torna invisível.
Como é difícil ser feliz com alguém, se esse alguém não quer ser feliz, não quer ser feliz "com você" e nem quer te fazer feliz.
E penso que esse altruismo que eu doo com tanta dedicação e amor, está sendo direcionado para o lado errado.
Seria mais proveitoso emanar essa onda de amor tão grande que eu sinto, ali na rua, para aquele pedinte, para aquela gente anônima que encontramos diariamente.
Questão de desmerecimento...
Acho que meu amor é desmerecido!
E penso tanto em desistir, mas aí vem a expectativa combinada com a dúvida.
E passo a achar que eu posso estar errada, que as coisas que eu vejo, sinto, imagino, são fruto de uma percepção distorcida.
Vem o julgamento e a culpa: Você pode estar errada!
Se eu esiver errada, o egoísmo passa a ser meu, a injustiça passa a ser minha e eu tenho verdadeiros medos de errar com as pessoas como elas erram comigo.
Então eu persisto e a vida vai passando e os anos vão passando e meus negros cabelos vão se misturando com prata, e a pele vai se enrrugando e o cansaço vai se instalando...
E eu me pergunto: Valeu a pena?
Amanhã posso não estar aqui...
E o hoje que era pra ser vivido intensamente, acaba sendo deixado para amanhã, porque hoje não deu certo, ontem não deu certo, semana passada não deu certo, nem ano passado...
Será que só eu estou fazendo alguma coisa errada?
A culpa pode reamente ser só minha?
Ou eu estou me empenhando sozinha em busca de uma vitória unilateral que nunca chega...
A grande questão é: Ela chegará?
Talvez eu esteja andando em círculos por conveniência, sem sair nunca do mesmo lugar.
E de repente vem uma vontade de escolher um caminho novo, mesmo sabendo que cada centímetro de mim quer aquele caminho onde estou.
E eu amo, amo, amo...
Mas mesmo ouvindo que sou amada, começo a desconfiar que amar para mim é uma coisa tão intensa que só eu sinto e o que eles sentem é apenas uma necessidade de ter alguém para despejar seus problemas, suas necessidades, pensando apenas neles próprios e jamais em mim, enquanto eu luto para fazê-los felizes, eles parecem só precisar mesmo, que eu continue a fazer isso para sempre por eles, sou a escrava que tem a obrigação de fazer feliz, mas não pode ser feliz!
E eu faço tanto... mas tanto... que definitivamente estou muitoooooooooo cansada para conseguir continuar a fazer sem receber nada em troca.
Vai-se o altruísmo e dane-se... vem egóismo, vou fazer como eles fazem!!!
Nem migalhas... e quem quer viver apenas de migalhas?
Pelo menos uma vez na vida quero ter um banquete de amor, carinho e ser a prioridade!
Ok, a partir de hoje eu sou a minha única, absoluta e melhor prioridade e contentem-se em um dia terem sido isso para mim, pois provavelmente agora que sou o centro do meu universo, nunca mais enxergarei vocês, nem que estejam a um centímetro do meu nariz, pois agora vou enxergar apenas meu próprio nariz e meu próprio umbigo!

quarta-feira, 28 de março de 2012

Midas

De repente olho pela janela e vejo a cavalgada sombria dos cavaleiros do apocalipse, montados em suas armaduras medievais, espalhando o medo do fim aos quatro cantos da Terra.
Diante dessa cena surreal, nada mais me restou... tive que rir.
Ri do final dos tempos, do fim do mundo e brindei à vida!
E a vida era tão doce, que mesmo quando parecia amarga, sentia o gosto açucarado de ser feliz além das expectativas dos reles mortais.
Isso tudo porque, tenho uma capacidade incrível de transformação, interior, exterior, física, mental e chego a ter um toque de Midas em transformar as coisas. Não em ouro claro, até porque se soubesse transformar qualquer coisa em ouro, já estaria rica.
O meu toque de Midas, transforma coisas simples, em coisas melhores, em coisas elementares e necessárias. Coisas absolutas, raras, necessárias e úteis. Jamais fúteis!
Coisas que se adequam a natureza essencial de viver e viver melhor. Em ser melhor, em ser feliz e em sorrir todos os momentos.
Esse sorriso fácil, que consola qualquer alma, que tem som de colo e abraço, que estampa felicidade no rosto dos outros, ou de todos.
Sou uma magnífica semeadora se sorrisos!
Lógico que nem todos sorrisos são verdades nesse contexto.
Há sempre quem irá sorrir por absoluta simpatia, gesto automático, vago, involuntário e até mesmo desnecessário.
Nossa que coisa... essa nossa sociedade às vezes tem uma coisa tão medíocre. Uma falsidade né?
Eu concordo que as pessoas tentam interagir com estranhos, tentando ser o que não são, mas para agradar (sei lá porque, já que são estranhos).
E o que existe de mais estranho, é um estranho querer não parecer estranho a outro estranho. Isso me causa enorme estranheza.
O ser humano adora agradar!
Tem coisas inexplicáveis mesmo, ou seria isso apenas uma convenção de simpatia para agradar a Gregos e Romanos (ou seria Troianos?)
Aqueles Cavaleiros do Apocalipse deram meia volta.
Eles estavam com uma caixa de som, conectada a um MP3, curtindo um Calypso e pareciam todos chapados ou alcoolizados.
Bando de inúteis!
Entornaram o caneco e esqueceram que hoje era o dia do juízo final e perderam o juízo e o mundo continuou a ser mundo e imundo.
E a vida continuou celebrando seus batimentos cardíacos e suas veias de vidas de seus habitantes, seguiu a jorrar contestamentos de para onde vamos e quem somos.
E o homem filosófa, as idéias vagam por entre nossos pés. Tropeçamos nelas e catamos por esse chão, indícios do que podemos fazer para sermos melhores, mas teimamos em não concordar e passamos a ser simplesmente nós mesmos, na simplicidade de nossa existência ímpar!
E assim, mais uma curta quarta vai chegando ao fim!
Amém