terça-feira, 6 de novembro de 2012

Silêncio

Ahhhhhh, deixa quieto...
O silêncio te faz pensar melhor
Se está sozinho, faz-te companhia seus pensamentos
Se estás triste, inventa alegrias pra te fazer em sorriso
Se sentes falta de algo, fique apenas em si mesmo
Ser auto suficiente é um exercício
Quem sabe ignorando o que está a sua volta
Você poderá ser capaz de ter a ilusão
De que jamais precisou de alguém
Ou de que ninguém lhe faz falta
Talvez devesse ser assim...
Eu tenho sido minha melhor amiga
Tenho me perdido em conversas com meu silêncio
Tenho me acompanhado de meus pensamentos
Tenho inventado sorrisos para me alegrar
E isso tudo me dá a sensação que não estou só
Mas só estou... apenas em mim
E o que quero, é apenas fingir
Que nada aconteceu,
Ignorar passado e presente
Enxergando apenas o futuro
E é somente ele que me importa
E é lá que quero estar...
Até que se esgote o próximo segundo
E a vida se esvaia em presentes futuros
Em mutações cronológicas
E o fim chegue naturalmente
Sem questionamentos, reclamações
Tentar, tentar, tentar
Isso era tudo o que me importava
Mas hoje, desistir passa a ser minha melhor opção
Desistir de tudo o que não irá valer a pena!
Há coisas que jamais mudarão
E para todas essas, já não há em mim lugar
Paciência e nem mesmo intenção
Quero apenas, o que sabidamente possa dar certo!

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Manual

E no fim ninguém sabe nada sobre a vida...
Não tem manual, receita, dica ou nada, ou quase nada que tenha aplicabilidade plena com aproveitamento máximo, no sentido de indicar, interferir, solucionar, sanar, melhorar ou mesmo conduzir qualquer coisa, em qualquer âmbito, cotidiano, normal, básico, real, abstrato, simples, composto, cardinal, ordinal etc e tal em nossas vidas, de forma que haja um sentido único, simples de ser transcrito, decifrado, analisado, definido, entendido e resumido.
Mas a vida é assim, ou assada, cozida, frita, refogada.
Tem sabor suave, adocicado, azedo, salgado, amargo e até envenenado.
São as papilas gustativas de nosso humor, que conduzem que sabor nos aprovem em que se transfomam as intervenções diárias de nossos sentimentos em relação ao nosso entendimento.
As vezes 100 gramas é algo tão pesado, que não conseguimos carregar, e vem permeado de significações que se internalizam e nos fazem refletir em centenas de processos cerebrais sobre um determinado acontecimento que se soma em milhares de possibilidades, fazendo nossa mente divagar entre o que realmente aconteceu, o que poderia acontecer e o que gostaríamos que de fato ocorresse.
Aí se misturam expectativas, sonhos, desejos, vontades em contraposição com medos, evitabilidades, frustrações e coisas que realmente esperávamos que nunca acontecessem.
Bem vindos à vida real... aquela vida que não te poupa de nada, nem de alegrias, nem de dores, nem de realizações, nem de fracassos.
Vida de possibilidades, 50% de cada lado, meio termo, riscos!
Sim, você tanto pode tudo, quanto não pode nada!
E o que você faz é montar um lindo mosaico multicolorido, com dominós enfileirados, fragilmente dispostos de forma que tanto pode seu desenho de anseios ser concretizado, quanto ao menor deslize, fazer tudo desmoronar.
Correr riscos... riscos que desenham a vida, numa aquarela frágil de cores semi vivas, ou quase mortas, realizem-se, destruam-se...
Vida de querer, proceder, tentar, conseguir, reviver, envelhecer.
Tantos verbos conjugados e nenhum manual no final.
Ninguém sabe, também não o sei!
E tentaria a vida inteira exemplificar o que eu sinto, mesmo sabendo que hoje não sou mais quem fui ontem e amanhã não me restará nada do que sou hoje.
Transformações profundas acometem o mundo em todos os segundos.
Enfim, isso tudo não é sobre você e nem mesmo sobre mim.
Gostaria de versar palavras que explicassem o mundo, perfeitamente assim, com princípios, meios e fins...
Mas palavras faltam para montar esse manual, então, sinceramente o que me resta é voltar ao ponto inicial!
E no fim ninguém sabe nada sobre a vida!
Assim por agora, termino o que comecei a escrever, indicando a você o início que termina e coloca o fim...

domingo, 26 de agosto de 2012

O cigarro

No princípio era o repúdio, na moralidade de minha doce infância...
Via meus pais ali, tragando e expirando aquela fumaça branca azulada, com cinzas espalhadas, um cheiro ruim, brasas que se acendiam e cripitavam na noite e se acendiam mais intensas em meio a tragadas, risadas, palavras e tosses roucas.
Então, simplesmente por convenção ou convencimento, eu negava aquele vício e me imaginava na minha distante vida adulta, longe dele, porque cheirava mal, fazia mal...
De braços dados com a adolescência, veio aquela rebeldia e desafiar o que era certo, era dever, prazer e então instalou-se o "desafio do desafiar"...
Às vezes, ia andando até o colégio e economizava a grana do bonde e comprava um solto pra na hora do lanche, me juntar àquela rodinha de pessoas descoladas e acender o pito e esbanjar liberdade e poder... e eu podia tudo nos meus lindos 13, 14 anos!
Eu era tão revolucionária, que as piores idéias (que sempre são as melhores) partiam de mim.
Organizava excursões à liberdade e depois do recreio arrebanhava a sala de aula toda para enganar a tia do portão dizendo que não tínhamos mais aula e as portas se abriam e fugíamos contentes e vitoriosos rumo a aventuras.
Saindo do Água Verde, cruzávamos o centro rumo ao Shopping e no Centro Cívico, lá estávamos nós no Mueller.
Me achava a rainha da contravenção e isso me conferia tanto poder, que as pessoas me rondavam sempre, como quem se fascina por um líder e o segue onde quer que ele vá.
E nossas armas eram nossa juventude, nosso destemor, nossa alegria e nossos cigarros, que mais pareciam uniformes e demarcavam quem eram as pessoas mais legais.
Deve ser por isso que comecei a fumar, por essa necessidade de ser, ou em me fazer diferente!
Driblei tudo e todos desde cedo, em busca das coisas que eu queria.
Dificilmente em algum momento pessoas conseguiram me fazer desistir das minhas vontades.
Jamais me acovardei em lutar, em mudar, em transpor limites, abrindo portas onde existiam apenas paredes...
Quando minha mãe suspeitou, vasculhou minha mochila surrada e encontrou carteira e isqueiro... acho que ela sentiu o cheiro enquanto eu tomava banho muito feliz com o cigarro preso a um grampinho de roupa pra não molhar!
Nem era vício, era o prazer de fazer o avesso do convencional.
Não eram tragadas, era impunhar uma bandeira de conquista pelo que eu queria e ninguém poderia me impedir!
Ela contou a meu pai... senti um medo escorrendo pelo corpo e enfrentei, com aquele sarcasmo que me faz rir nas horas mais impróprias! E ele disse, acenda um e fume.
Então peguei o cigarro, coloquei no canto da boca, o isqueiro subiu junto, fiz uma concha pra espantar o vento e o fogo veio e se misturou ao papel e ao fumo, que incendiou aquele tubo branco de papel pra fumaceira começar fácil.
Puxei aquela fumaça grossa, densa, com gosto de queimado e soltei aquela nuvem branca que ficou entre mim e meu pai.
Aí nesse momento, imaginei qual seria o veredito...
Eu estava ferrada, essa era a única certeza que me vinha à mente.
Ele olhou pra mim, com um olhar intrigado e disse:
- Olha! E acendeu um cigarro... Puxou a fumaça, abriu a boca e nada... A fumaça não estava lá!!!!
Depois de alguns segundos, um milagre aconteceu! A fumaça saiu pelos lábios.
Então ele riu e disse:
- É assim que se traga!
E então eu entendi que eu nem sabia tragar e minha mãe ficou furiosa, pois esperou que eu levasse aquela mijada e o que meu pai fez, foi me ensinar a tragar.
Depois desse episódio, coisas passaram a acontecer.
Quando eu ia para Castro, no final de 91, meu pai gentilmente deixava na cozinha, uma carteira de "Capri" dando sopa.
Sabia que não era dele e nem pra ele.
E abria a carteira e deixava ela lá, ia furtando aos poucos e sabia que ele estava me vigiando.
Então passei a fumar e fumar e fumar.
Agora entendo esse "fumar" como um vício, que ao mesmo tempo era necessidade e que se revertia em prazer.
Acordava já pensando nele e o procurava para matar minha vontade e ele estava comigo o dia todo e eu sequer pensava no motivo de precisar daquilo.
Nos últimos anos as coisas estavam ainda mais automáticas... Fumava, fumava, fumava, acendia um cigarro no outro, entre um e outro usava bombinha para asma e meu ar já era escasso e meu pulmão doía.
E mesmo assim eu fumava, tragava aquela fumaça para consolar minha alma da necessidade que aquilo me causava e os gestos ficaram somente ainda mais automáticos e impensados.
O cigarro se tornou um vício desnecessário, que não me acrescentava em nada, me fazia mal, me deixava mal, dilacerava aos poucos meu corpo e fui me escravizando num prazer que eu sequer tinha consciência que era desnecessário.
Fui parando aos poucos...
Comecei a vê-lo menos, a meta era fumar em espaços cada vez maiores e maiores e maiores.
E meu corpo estava mal... eu estava morrendo e não sei se queria morrer por causa de um vício maldito.
Então, um belo dia, eu quase morri de verdade durante a madrugada, em meu quarto.
Acho que foi o propulsor da decisão final...
Meu pai já não estava mais aqui, fazia um ano que ele tinha ido, sem sequer dar um adeus.
Na madrugada acordei, como que afogada e o ar não entrava e me deseperei tentando tragar ar para meus pulmões e ele não vinha e lutei quando a morte parecia certa.
Passado um tempo, não maior que um minuto, o ar veio tímido e a cor voltou a meu rosto e eu respirei e quando acordei, pensei nele.
Mesmo sabendo o quanto ele fez parte da minha vida e o quanto eu precisava dele, o deixei de lado, na estante ao lado da cama, onde podia vê-lo e até tocá-lo se eu quisesse, mas não o desejei, não me dominei por ele, não mais o permiti em minha vida.
E os primeiros dias foram confusos, associava tudo a ele, desejava ele, queria ele a todo o momento... ao acordar, depois de comer, ao estar no ócio, ao sair, ao piscar, ao respirar...
E uma fome avassaladora tomava conta de mim, evitava aquela fumaça que pairava sobre minha alma, comendo a toda hora para preencher um estranho vazio.
E os dias foram passando e as coisas foram ficando mais fáceis, e o desejo diminuiu, sonhava com ele... e acordava pensando "não resisti"... mas não era a realidade.
E no mundo real eu fui desistindo daquele grande mal, dia após dia, resistindo a tentações de voltar atrás e descobrindo que na verdade eu nunca precisei dele.
E depois de quase 20 dias me convenci, que era hora de fazer algo por mim e comecei a cuidar de mim mesma e ressurgi e me apaixonei outra vez por mim.
Então comecei a me cuidar, a comer menos, a andar mais, a beber mais água, a ir em outros lugares, a ver outras pessoas.
Mas o vício ainda está em mim!
Mesmo sem sentir vontade consciente, penso no prazer, em estar com ele e como ele combinava comigo, como ele me dava um ar mais despojado e como ele desejava me matar aos poucos... e como realmente eu quase morri e acordei descobrindo que não... ainda estava viva!
E desejei viver e viver passou a me fazer bem e hoje viver é minha única opção.
Então estou aprendendo algumas coisas novas a cada dia e cada dia fica mais fácil estar longe e no final das contas, parece que isso jamais fez parte de mim e que na verdade, eu nunca fumei!

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Sonho...

Essa noite passeei por corredores de hospitais, era doente ali, mas era a menos enferma.
Encontrei pastas, li prontuários e me deparei com óbitos.
Fui liberada para acompanhar funerais, onde pessoas necessitavam da minha força.
Estranhamente, conversei com várias mulheres e todas elas estava no banheiro, disputando um espelho, preocupadas tão somente com suas vaidades imediatas.
No meio de tanta gente, encontrei uma senhora, com a tristeza estampada no rosto, sem nenhuma maquiagem, sem nenhuma vaidade, estava ali por estar ali.
No exato instante que a vi, lembrei do prontuário, uma criança de 5 anos, câncer e a identifiquei como familiar desse inocente e entendi porque eu estava ali.
Comecei a conversar com ela, confirmou-me que era mesmo esse caso e então, comecei a falar da vida, da brevidade dela e sobre as dívidas que nós mesmos assumimos para estar aqui.
Ela me disse que estava muito triste e queria tê-lo ao seu lado... e só pude lhe dizer que, amar é uma coisa muito bela, que devemos amar sem limites, incondicionalemente, mas, quando uma pessoa se vai, ela tem um novo caminho a trilhar e reclamar a presença física dela a todo momento, corresponde a amarrá-la atrasando o seu novo caminhar.
Pedi a ela, que em seu imenso amor, trouxesse alegria nesse sentimento de perda, lembrando dos doces momentos em que teve com essa linda criança em sua breve existência aqui na Terra.
E seus olhos se encheram de luz, porque aquilo tudo o que eu dizia, começou a fazer sentido para ela e ela transbordou amor nesse momento, me abraçou, disse que eu era uma pessoa muito linda e saiu.
Eu estava em um cemitério onde tinham pelo menos 3 funerais acontecendo simultâneamente.
Mas dentre todas as pessoas, apenas aquela mulher parecia estar vivendo um momento de perda, de luto, enquanto todas as outras, pareciam estar num desfile de vaidades exacerbadas....
Enfim, acordei...
Mas foi um sonho, porém de uma realidade tão grande, que acordei com a sensação de que uma grande verdade se manifestou para mim enquanto eu dormia.
Meu domingo está mais significativo, antes mesmo de levantar, já fiz um bem e essa sensação eleva o espírito de qualquer ser e traz uma sensação de paz.
Talvez tenha sonhado tudo isso, por ter usado palavras parecidas no final da noite, para conter lágrimas que minha filha trazia aos olhos, pedindo pelo pai, que assim como aquela criança do sonho, também partiu.
E ela, assim como a mulher do sonho entendeu, que a vida não cessa com a morte, que tudo é um processo natural de evolução e cada um tem seu caminho a percorrer.
E, nos deparando com a morte, sofreremos a perda, mas devemos deixar o espírito livre para continuar sua jornada, que a partir da morte, é apenas um processo longe de nossos olhos.
Bom domingo...

sábado, 7 de julho de 2012

Desmotivação

Motivos a gente acaba tendo muitos, sempre...
Para sorrir, para chorar, para comemorar, para lamentar!
Porém, ando sendo acometida por um desmotivo, uma desmotivação...
Onde deveriam sobrar-me os motivos para ser feliz e viver assim e assado, é dado lugar a desmotivação, como se me tirassem os motivos e tudo isso fosse substituído por um nada, um vão, um abismo entre o que eu sou, o que eu fui e o que eu irei ser.
Perspectivas sumiram como por encanto e se instalou um breve não querer que não vai embora, um nada, um vazio.
Estou de novo na estaca zero de um recomeço cego onde não sei para onde quero ir, por que ir e quando ir.
Então me reservo ao direito leve, livre e solto de não ser e não estar e ficar no ponto onde estou, imóvel e estagnada como pedra.
Ahhhhh essa vontade de nada, que coisa estranha...
Nem megasena, nem dinheiro, nem luxo, nem amores, nem sonhos, nem vontades só nadas...
São muitos nadas e zeros a esquerda que não somam, não subtraem, não multiplicam e não dividem...
Nadas absolutos, absolutamente coisa nenhuma.
Enquanto isso, inicia-se um vegetar total, uma plantação vegana de legumes, tubérculos, ervas, matas, plantas, capões de imagine-se... invisibilidades de coisas a fazer, querer, ser e estar.
Cansei... deve ter sido isso, só isso
Não é reclamação nem lamento.
Não é dor nem tristeza....
Sabe? É nada!
Hoje to assim, nada...
Não quero nada, não vivo nada, não sou nada!
Estou na paisagem, camuflada em paredes brancas e com ares de fantasma, sou um espectro fantasmagórico me movendo entre tudo imperceptível e calada.
E vou sumindo, sumindo e me desintegro nessa preguiça vadia e vagabunda de não querer viver o hoje e querer apenas pular para o final da história com tudo pronto, resolvido, mastigado, solucionado, raciocinado....
Sério, é só isso, essa preguiça inteira de viver.
To descansando de mim mesma e estou achando ótimo.
Amanhã me revejo, me reinvento porque hoje é só despedida, até amanhã quem sabe...

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Amiga...

Eu tinha uma crença, mas às vezes ela vai se despedaçando, perdendo a forma, a razão, se amiudando, que acho por vezes que vai acabar sumindo de tanto que já desapareceu de mim.Acreditava na ação e reação, de vidas, outras vidas antes dessa, de somas de carmas, pecados, erros, maldades.
Achava que tudo era uma questão de dívidas ou bônus, que tudo isso era necessário para nossa melhora como pessoas, como espíritos, que era tudo uma questaão de evolução ou (des)evolução.
Justificava todos os fardos nessa crença, as coisas realmente faziam sentido e a morte era algo tão natural, que nunca chegou a me incomodar demais.
Pouco chorei pelas pessoas que se foram, pois, acreditava que elas estavam aqui próximas a nós, separadas apenas por uma cortina que lhes tornava invisível.
E era tão bom acreditar, ter o conforto de saber que bastava fazer o bem para ser um pouco mais feliz, mesmo sabendo que a felicidade não era deste mundo, e que aqui só havia expiação, sofrimentos, provas e que para caminhar por esse vale chamado vida, bastava você ter paciência, caridade e ser capaz de perdoar.
Agora eu vejo as coisas por ângulos diferentes, mesmo sabendo que cada um tem uma carga a carregar, as coisas não me parecem mais injustas do que eram antes.
Vejo pessoas maravilhosas partindo, vejo um mundo ficando cada dia mais feio, pessoas fazendo o mal a toda hora e não me identifico nessa miscelânia de desajustes que o mundo se tornou.
Sou a própria imperfeição, tenho plena consciência disso, mas não me vejo fazendo mal algum para as pessoas. Claro que já fiz muitas coisas erradas, estou longe de ser santa, mas não estou sofrendo... por nada que possa ter feito de pior nessa vida.
O que tem me feito mergulhar em profundos questionamentos, é ver pessoas tão inocentes, com fardos tão pesados para carregar.
Acreditava que elas traziam suas dívidas de outras vidas, mas como sofrem tanto se nessa vida só fizeram o bem?
Eu sei que existem muitas respostas, baseadas na minha crença. Uma das que melhor se encaixa é o fato da família sofrer por aquela pessoa, um teste de tolerância, paciência, amor... pessoas que vieram apenas para serem amadas, unirem lares, darem força, colocarem luz e esperança no caminho dos descrentes.
Mas mesmo assim, penso e não paro de pensar: Sacrifica-se uma vida, tortura-se uma criança, uma família inteira é levada a exaustão, acodem-se na fé, acreditam na cura, que coisa...
Essa cura eu também quero, uma cura milagrosa, que não deixe sequelas, uma vitória gloriosa!
Mas temo muito que ela não aconteça e então, essas pessoas que estão sendo expostas a uma prova tão cruel, se tornarão melhores? O que elas aprenderão além da dor?
Temo que essas pessoas se afastem de Deus, que desacreditem em todas as suas convicções, pois creio que não haveria justiça em uma luta tão dolorosa, que culmine em derrota para todos os lados.
Eu quero acreditar que possa existir algum bem em toda essa circunstância, mas está difícil, isso porque tudo está se passando longe de mim...
Minha amiga querida, já conversei um milhão de vezes com você e nunca acho uma palavra sequer que consiga fazer você se sentir melhor, menos impotente e menos decepcionada com a vida.
Tento dar algum tipo de consolo nessa situação em que vocês estão envolvidos, não quero eu também perder a fé, mas confesso, já estou achando difícil e estou quase concordando com as suas palavras...
Você me disse que não dava para acreditar que exista um ser onipotente, onisciente que deixasse uma criança inocente sofrer a esse ponto... e eu te disse que para tudo existia uma razão.
Me lembro que você respondeu que não tinha razão e era completamente injusto.
Verdade, hoje eu concordo muito com essa injustiça, mas prefiro me apegar no pouco que resta de minha fé e acreditar que nenhuma vida foi colocada nesse mundo em vão e que as coisas tem sim uma razão, que tudo o que passamos aqui é para tocar no coração de alguém e hoje, mesmo com quase nada de fé eu vejo a Thaís dando um imenso exemplo de vida nessa luta diária que ela está travando, penso que tudo isso não é a toa!!!
Não pode ser, não deve ser... em mim ela toca muito forte e há dias que eu penso nela sem parar, uma coisa que grudou na minha mente, já escrevi sobre ela em posts anteriores, pois graças a ela, tenho visto muito mais sentido na vida!
Tenho uma enorme vergonha de ter fraquejado tantas vezes, em ter pensado em desistir por coisas tão pequenas, por problemas que eu mesma criei, pela minha covardia, enquanto ela briga com um monstro gigante todos os dias, sem armas, apenas com a coragem e a vontade de viver que o tal Deus deu de presente a ela.
Assim como ela toca no meu coração, eu que estou aqui longe, imagine quanto de bem que ela faz para quem a conhece, quem sabe das batalhas dela?
Não amiga, não é em vão, ainda que seja muito injusto, tem sim uma grande razão para tudo isso.
Parece egoísmo, mas sim, o mundo é egoísta, ninguém quer perder jamais, não adimitimos perder nada nem ninguém, mas estamos num mundo de muitas perdas, só o que não podemos perder é a vontade de lutar, de viver e nisso, sua irmã está sendo exemplo.
Pense nisso, amo muito você, sei do seu grande medo e acredito que infelizmente seus temores estão certos.
Saiba que estou aqui, que posso também estar aí no momento que precisar, mas saiba dar adeus e guardar nesse seu coração tudo de melhor que ela te deu...
Sem revoltas, sem raivas, sem mágoas, deixa apenas a tristeza da saudade, o lamento por não poder mudar as coisas, mas tenha certeza: tudo isso não foi, não é e nem será em vão!

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Vício

Coisas sem explicação geralmente são aquelas que se sobrepõem à razão, não tem quantia líquida nem certa de valores agregados para se medir, pesar, contabilizar... são permissividades do ser sem se esclarecer, apenas permanecer na ignorância do não saber consciente.Mas justifico-me nos meus destemperos com desígnios de palavras simples e arrebatadoras que poderiam dar forma e razão para essas sentimentalidades que me acomentem.
Não seria doença, praga, moléstia, defeito, efeito e sim dependência física, mental, fisiológica, psicológica, cardiológica.
Meu mal deveria ser meu bem, mas é meu vício o senhor do meu corpo, proprietário da minha razão, comandante da minha emoção, motorista da minha direção.
Sou viciada no amor, na dor, no dissabor...
Não sei viver sem quem, estou sempre dependendo de alguém, uma pessoa só que faz de mim tão só como se minha garganta estivesse pendurada por um nó, pronta para cair, escorregando, empurrada, lutando para subir, subir, sem degrau, apenas sentindo um mal, querendo água e bebendo sal...
Que mundo surreal, coisas tão simples explodem em uma discussão banal, não gosto disso, não quero isso.
Por favor, traz de volta para mim a liberdade de expressão, palavras verdadeiras, com emoção, olho no olho, cabeça, corpo e coração, não me ilude, gosto ainda da razão.
Lua, nuvem, estrela, vento, frio, congelamento, empedra meu coração aqui dentro.
Onde estão todos? Onde foram os que amo?
Fiquei apenas com meus enganos...
Constrói, destrói, tudo machuca, tudo dói... não tem que ser assim.
Juramos ser melhores, mas encenamos nossos papéis, continuando a ser os piores...
Não quero assim, quero assado, não me de frito, quero cozido, não adianta refogado.
Eu mudei, de cidade, de casa, de corpo, de dente, de roupa, de cabelo, de voz, de alma e mesmo assim, parecendo estar melhor, estou interiormente pior.
O mal me faz bem, e faço bem o mal, mas não quero fazer, nem para mim e nem para você...
Quero ser feliz, abro mão da felicidade por você, quero fazer o bem, mas o mal às vezes me convém...
Hoje estou ótima para escrever coisas absurdamente sem sentido, só palavras vão se esvaindo e respiro profundo, desculpe-me vida, não sou perfeita, mas enfim, esse é meu mundo.
Hoje eu não sou de mim mesma, não pertenço a nada, nem a mim, não estou em lugares listados em mapas, não estou no certo e nem no errado, mas quero estar junto e toda a hora, somente no colo calado do seu corpo, ou pelo menos ao seu lado.
O problema não seria você, o problema seria apenas eu... vicio maldito
Preciso-te, injeta-me essa dose remanescente de me fazer feliz, vou cheirar esse pó da sua luxúria em mim e fumar esse cigarro do seu beijo, enquanto uso comprimidos sublinguais de suas mãos no meu corpo e bebo desse chá das migalhas do seu amor... Preciso-te!