Elas me fascinam, eu sou feliz com elas e às vezes pareço até pertencer àquele mundo.
Incrivel como a gente adquire a capacidade de amar coisas que não são nossas, coisas que deveriam estar a km de distância de nós, mas ao contrário do que se espera, a obrigação se torna prazer.
É uma entrega tão grande, que não suga nada da alma, apenas acrescenta!
Entro lá com meu sono matinal habitual e quando saio, parece que carreguei minha energia com reservas para 100 anos.
Como isso é possível?
Não sei, pois para a maioria das pessoas que estão por lá comigo, tudo parece um enorme fardo, pesado, triste, ruim... E enquanto isso eu me divirto!
Sei que não sou referência para essas e nem outras coisas, tenho atestado de loucura, com ISO 9000 mas se isso for a minha loucura, espero que seja altamente contagioso.
A minha loucura tem sobrenome: Felicidade! e sim, sou uma louca feliz!
As minhas meninas me dão isso e a única coisa que passa a fazer sentido para mim é que elas estão lá com esse único propósito, me fazer feliz!
São minhas filhinhas lindas, que andaram tropeçando pelos caminhos da vida e cairam feio em abismos envoltos em crueldade reflexa, como um espelho onde elas se contemplaram tristemente em suas vidas de derrotas e essas verdades tivessem se transformado em ira, revolta, raiva, ou simplesmente cobiça... de dinheiro, de poder, de se inserir em uma sociedade onde a embalagem vale mais que o conteúdo.
Se perderam no caminho, foram na idéia errada, na fita errada, na cena errada!
CL Aparecida, toca naquele som o dia inteiro e eu vejo "as mina das quebrada", tentando se render às regras, em busca de uma liberdade que para elas sempre está tão longe, como se a vida delas se resumisse a esse momento ruim, de limitações, de sentenciamento, de exílio, de prisão.
Eu até tento entender, um dia passei passei por algo próximo a isso, mas sem a repressão ou a hostilidade que existe lá.
Foi um laboratório forçado de 16 dias, incluindo reclusão, roupas marcadas, horário para banho, sol, refeições... limites e mais limites!
Que coisa de doido, chorei compulsivamente todos os dias, mas nos últimos, em troca da liberdade, consenti a mim mesma o direito de parecer feliz e ganhei alta!
O processo delas é igual...
Difícil explicar, mas criam a expectativa de que se houver respeito às normas, a liberdade vem mais fácil e às vezes ela vem, mas normalmente ela demora, mas tem que vir para todas elas, independente de comportamento.
E cria-se a barreira do medo, medo de fazer a coisa errada e pagar por mais tempo.
Que sistema estranho... mas funciona e tem gente que sai de lá muito melhor do que entrou e tem gente que só piora!
Mas eu vou lá, dia sim, dia não e dou o melhor de mim, por prazer!
Faria até de graça talvez, se não precisasse de dinheiro para sobreviver.
Amo essa coisa de interação com o próximo e depois de 12 horas de trabalho, monto no meu amado verdinho e quem embarca comigo ve no meu rosto um sorriso estampado beirando o abobamento.
Mais um dia intenso, às vezes estressante, mas um dia em que eu fui feliz dando um pouco de mim para quem nunca teve nada ou quase nada.
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